O advogado que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Polícia Federal (PF) investigue o papa Leão XIV, Lula, Bolsonaro e o ator Leonardo DiCaprio por suposta participação em um esquema internacional de clonagem de DNA pediu a inclusão de Mark Zuckerberg, Bill Gates e Vini Jr. entre os réus da ação.
O pedido foi apresentado ao ministro Edson Fachin, presidente do STF. O advogado Kelmo Martins Bandeira também requereu a inclusão de outros 15 nomes e classificou o novo grupo de investigados como “Judas Escariotes”.
Entre os nomes estão o empresário Eduardo Saverin, brasileiro mais rico do mundo, o ator Charlie Sheen, o empresário Wesley Batista e o presidente do conselho da Gerdau, André Gerdau Johannpeter.
O advogado, que não apresenta evidências científicas nem elementos de prova que sustentem a existência do suposto esquema, também alterou os pedidos da ação.
Além de requerer o pagamento de indenizações mensais, passou a pleitear parte do faturamento de empresas como Meta, Microsoft, Ambev, Gerdau, Cyrela, Grupo Mateus, Friboi e até do Goiás Esporte Clube.
Entre os pedidos, o advogado solicita, por exemplo, R$ 20 mil mensais de Lula e Bolsonaro, R$ 35 mil mensais de Leonardo DiCaprio, R$ 25 mil mensais de Bill Gates e Hunter Biden, além de 2% do faturamento da Meta, da Microsoft, da Ambev, do Grupo Mateus, da ExxonMobil e da Cyrela.
“Aproveito para reiterar os demais pedidos feitos em tutela de urgência, com base na fumaça do bom direito e no perigo da demora”, escreveu o advogado.
Ele prossegue: “A tutela de evidência que o novo direito processual apresenta no art. 311 do CPC/15 autoriza o magistrado(a) a abreviar o sofrimento processual das partes. Sei que, no caso, o fato de tal modo é público que se amolda à nova diretriz processual trazida no art. 311 do Código de Processo Civil.”
Apesar das alegações, não há evidências de que exista o suposto núcleo denominado “Judas Escariotes”, nem foram apresentados elementos científicos ou provas que sustentem a tese exposta pelo advogado.
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O caso
Além de Bolsonaro, Lula, Leonardo DiCaprio e do papa Leão XIV, o advogado cita na petição a Igreja Católica, Hunter Biden, filho do ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, e familiares do ator americano.
Segundo a narrativa apresentada, a organização manteria pessoas em cativeiro, promoveria clonagens, substituições de identidade e alterações genéticas.
O documento também menciona que “a maioria dos artistas baianos”, “a turma do Calcinha Preta” e até “metade da população de São Luís e de Fortaleza” estariam envolvidas ou teriam sido afetadas pelo suposto esquema.
Veja quem seriam as vítimas da organização “666”, segundo o advogado:
- Tatau, cantor
- Claudia Leitte, cantora
- Wladimir Brichta, ator
- Marina Ruy Barbosa, atriz
- Marcelo Serrado, ator
- Samuel Rosa, cantor
- Neymar, jogador de futebol
- Ronaldo Fenômeno, jogador de futebol
- Hamilton Mourão, senador
- Gabigol, jogador
- Joesley Batista, empresário
- William Bonner, jornalista
- Fernando Alonso, piloto
- Miguel Falabella, ator
- Wesley Safadão, cantor
- Solange Almeida, cantora
- Marília Mendonça, cantora
- Maiara, cantora
- Maraisa, cantora
“O projeto GENOMA decodificou o código genético dos humanos. A partir daí iniciou-se uma prática de alteração das características físicas da pessoa, incluindo a possibilidade de alteração de sexo e de qualquer característica física”, afirma o advogado, alegando a existência de “práticas cientificamente comprovadas.”
O advogado prossegue: “O estrago é de grande monta. Pessoas começaram a ser assediadas e violentamente tiveram a sua genética clonada. Outra pessoa, acompanhada de robôs, assume a identidade genética e a vida do outro. Geralmente quem pratica o crime no Brasil é membro de facção”.
Em outro trecho da petição, afirma que o empresário Joesley Batista teria aparecido em Barreirinhas (MA) com sexo feminino e “grávida”. Outro ponto é que, para ele, a cantora Marília Mendonça estaria viva e que a pessoa morta no acidente aéreo de 2021 teria sido um clone.
A coluna não conseguiu localizar o advogado para comentar as alegações apresentadas na ação. Não há ainda informações sobre a razão pela qual ele acionou o STF, tendo em vista que é uma Corte Constitucional.
Ações absurdas
O sistema de Justiça não é obrigado a dar andamento a pedidos manifestamente absurdos. Ainda que uma ação seja protocolada no STF, o ministro responsável pela análise pode rejeitá-la de plano caso a considere inepta, abusiva ou desprovida de qualquer elemento mínimo de plausibilidade.
Nessas situações, é comum que o processo seja extinto logo no início, sem sequer avançar para a análise do mérito.
Também pode haver condenação por litigância de má-fé. Quando uma parte utiliza o Judiciário de forma abusiva ou apresenta alegações sem qualquer respaldo probatório, pode ser condenada ao pagamento de multas e das despesas processuais.

