A Danone está ampliando a capacidade de produção de alimentos com alto teor de proteína no Brasil e aposta no crescimento do consumo doméstico para sustentar a expansão da categoria nos próximos anos.
A companhia também investiu na modernização de suas fábricas e desenvolveu um programa de agricultura regenerativa que busca aumentar a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade das propriedades leiteiras fornecedoras de matéria-prima.
Segundo Mário Rezende, vice-presidente de operações da Danone no Brasil, a categoria de alimentos proteicos se tornou a mis importante da companhia e registra crescimento de dois dígitos ao ano. Apesar do bom desempenho, a categoria ainda tem baixa penetração nos lares brasileiros, o que indica espaço para expansão.
“O cenário de crescimento bastante forte ano contra ano e uma penetração baixa nos mostra que ainda há um potencial de crescimento muito grande para o segmento”, afirmou o executivo em entrevista à CNN Agro.
Com a expansão da categoria, a empresa realizou investimentos na unidade de lácteos em Poços de Caldas, em Minas Gerais. O aporte prevê ampliação da capacidade produtiva das linhas de alimentos proteicos, além da incorporação de novas máquinas, tecnologias e capacitação de funcionários.
Entre as iniciativas recentes está a instalação de um parque de impressoras 3D na fábrica de lácteos de Poços de Caldas. A tecnologia permite produzir internamente parte das peças de reposição utilizadas nos equipamentos, reduzindo o tempo de manutenção e os custos de armazenamento.
Rezende atribui o avanço da categoria a mudanças nos hábitos dos consumidores. Inicialmente associada à prática esportiva, a procura por alimentos ricos em proteína passou a alcançar também pessoas interessadas em saúde e envelhecimento saudável.
Além da marca YoPRO, a Danone também oferece produtos com maior teor proteico em outras linhas do portfólio, incluindo itens voltados à nutrição especializada e à reposição de proteínas por adultos com mais de 50 anos.
Segundo o executivo, a empresa observa aumento da procura por produtos como YoPRO, iogurtes naturais e NutriDrink, além de itens associados à saúde intestinal.
Mercado estratégico
O Brasil é considerado estratégico para a operação global da Danone. Presente no país há 55 anos, a empresa afirma crescer no mercado brasileiro acima da média global do grupo.
Para aprimorar a cadeia de fornecimento de leite, a Danone criou o programa Flora, voltado à agricultura regenerativa e ao desenvolvimento dos produtores parceiros. Criada há seis anos, a iniciativa passou de duas propriedades para cerca de 150 fazendas, concentradas principalmente no sul de Minas Gerais.
O programa combina capacitação técnica e gerencial, apoio financeiro, práticas de bem-estar animal e medidas de preservação ambiental. “Nossa proposta é melhorar os indicadores produtivos e econômicos das propriedades e ampliar a qualidade do leite fornecido à indústria”, diz Rezende.
Segundo ele, os produtores participantes apresentam produtividade e rentabilidade superiores às médias de mercado. A empresa cita um retorno de R$ 116 para cada R$ 100 investidos nas propriedades integrantes do programa.
“Além disso, as fazendas participantes conseguiram reduzir em mais de 50% as emissões de carbono e em mais de 40% as emissões de metano”, calcula o executivo.
A relação com os fornecedores é baseada em contratos de longo prazo e mecanismos de precificação que, segundo a empresa, ajudam a dar previsibilidade ao produtor.
“Esse contrato está sempre linkado ao índice de precificação, que garante ao produtor uma previsibilidade, que é super importante neste mercado”, explica.
Apesar dos avanços tecnológicos, a disponibilidade de mão de obra é um dos principais desafios da produção de leite, explica o executivo. Por este motivo, a Danone vem apostando em capacitação, melhoria da gestão das propriedades e adoção de tecnologias, como sistemas robotizados de ordenha, para enfrentar a dificuldade de atrair trabalhadores.
Outro desafio da atividade é sucessão rural. Neste contexto, Rezende acredita que a melhoria da rentabilidade pode tornar a produção leiteira mais atrativa para jovens produtores e trabalhadores.

