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Ataques marcam 1º debate na TV entre Lula e Flávio; veja principais pontos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Ataques marcam 1º debate na TV entre Lula e Flávio; veja principais pontos

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, se enfrentaram neste domingo (18), em debate presidencial da TV Bandeirantes marcado por troca de ataques, a uma semana do segundo turno da eleição.

O evento foi o primeiro confronto entre os candidatos, líderes nas pesquisas de intenção de voto, nestas eleições. A votação que definirá quem governará o país pelos próximos quatro anos será realizada em 25 de outubro.

O debate também teve confusão envolvendo as duas comitivas. No último bloco, integrantes dos grupos protagonizaram discussões que interromperam as considerações finais dos candidatos.

Troca de acusações

No início do primeiro bloco do debate, Flávio questionou Lula sobre as acusações feitas por Roberta Luchsinger contra o presidente em entrevista à CNN Brasil. “Lula, você conhece Roberta Luchsinger? Fez acusações graves contra você ontem (dia 17)”, afirmou o senador.

Flávio também cobrou explicações sobre a declaração de Lula de que não conhecia a empresária. “Você disse que não conhecia, tem a oportunidade de corrigir sua resposta”, disse.

O presidente respondeu: “A Roberta é uma questão da Polícia Federal, e a Polícia Federal vai cuidar”.

Na sequência, Flávio acusou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, de ser sócio de Luchsinger. Lula rebateu associando a empresária ao Careca do INSS, a quem apontou como sócio do adversário.

Lula reagiu mencionando Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que está nos Estados Unidos, e o acusou de atuar contra os interesses brasileiros. “O seu irmão está fugido nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil. Tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil”, afirmou o presidente.

Lula também acusou a família Bolsonaro de trair o país e disse que seus integrantes deverão responder por suas ações. “O que vocês estão fazendo é trair a pátria. E vocês serão julgados por isso”, declarou.

Flávio voltou a atacar Lula, acusando-o de mentir e proteger o filho. “Você mente com uma desenvoltura na frente das câmeras e, por trás das câmeras, você protege o seu filho”, afirmou.

Relação com Daniel Vorcaro

Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões que pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Para ajudar seu irmãozinho?”, perguntou o presidente. Flávio respondeu o presidente citando supostos R$ 30 milhões que teriam sido destinados por Vorcaro ao Instituto Lula.

O senador também cobrou explicações sobre uma reunião que teria acontecido entre o presidente, Vorcaro, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Lula respondeu que Vorcaro se tornou banqueiro durante o governo de Jair Bolsonaro e, na sua gestão, se tornou prisioneiro. O presidente também atribuiu ao empresário um golpe de R$ 60 bilhões no sistema financeiro do país.

Segurança Pública

Na área de segurança pública, Flávio Bolsonaro voltou a dizer que pretende, caso eleito, classificar facções criminosas como o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.

“A partir de janeiro do ano que vem, eu vou declarar guerra ao narcoterrorismo. Eu vou classificar PCC, CV e milícias como organizações narcoterroristas”, disse.

“Vocês que moram nessas áreas dominadas por esses marginais, onde eles implementam medo coletivo, onde eles impõem a própria lei, onde oprimem vocês que moram nessas comunidades, eu vou recuperar cada bairro, cada rua, cada cidade, cada território que foi tomado do povo brasileiro”, prosseguiu.

Lula defendeu, caso seja reeleito, federalizar a segurança pública. O chefe do Planalto disse que a segurança pública é de responsabilidade dos estados, mas que eles “fracassaram”.

“Nenhum estado conseguiu resolver o problema na segurança publica”, pontuou.

O petista defendeu a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública. A proposta prevê mudanças na organização da segurança pública, na divisão de competências entre os entes federativos, no sistema penitenciário e nas medidas de enfrentamento às organizações criminosas.

O candidato do PL questionou o atual presidente e candidato à reeleição sobre os direitos envolvendo criminosos que foram presos e criticou o indulto natalino. O petista, por outro lado, defendeu a prática caso a pessoa não tenha cometido “crimes muito violentos” ou hediondos.

Saúde

A condução da pandemia voltou ao centro das críticas de Lula, que mencionou as mortes por Covid-19 e atacou a atuação dos ministros da Saúde de Jair Bolsonaro: “Um mais mequetrefe que o outro”. Flávio reconheceu que a saúde não foi a melhor área do governo do pai, mas defendeu seu trabalho durante a emergência sanitária.

Lula exaltou o Mais Médicos e defendeu ampliar a presença de profissionais pelo país. Também acusou a gestão anterior de deteriorar os seis hospitais federais do Rio de Janeiro, mencionando problemas como UTIs fechadas e falta de estrutura.

Flávio rejeitou as acusações: “Mais uma vez, completamente irresponsável, vomitando um monte de mentiras”.

O senador afirmou que pretende levar ao SUS (Sistema Único de Saúde) o padrão de atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein, referência na rede privada. “Eu quero colocar padrão Einstein no SUS, aquele mesmo atendimento com tecnologia, com médicos, com hora marcada, sem fila, que tem na rede privada. Eu quero levar para o SUS”, afirmou Flávio.

O presidente rebateu a proposta e questionou se o adversário pretende privatizar o sistema público de saúde. “Será que ele quer privatizar o SUS? Será que ele quer privatizar o SUS? É isso que eu entendi”, questionou.

Política externa

Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a proximidade dele com o presidente da Argentina, Javier Milei, e se ele pretende adotar o modelo econômico do país em uma possível eleição no Brasil.

“Já que você é amigo do Milei, você tem acompanhado como é que está a Argentina, você continua dizendo que o seu modelo é o modelo do Milei?”, questionou Lula em debate da Band. Como mostrou a CNN, o PIB (Produto Interno Bruto) argentino caiu 0,6% no período de abril a ⁠junho em relação ao primeiro trimestre e a taxa de pobreza chega a 32,3%.

Flávio, por outro lado, citou a relação do petista com o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, e com o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro.

“E o seu amigo, que é o Ortega, da Nicarágua, um ditador, o Maduro, que está preso. Esses são seus amigos. Você mandou o seu vice-presidente para visitar a poce de um ditador no Irã. É nisso que você transformou o Brasil. O Brasil acabou internacionalmente por causa da sua política”, rebateu o senador.

Lula disse que vê “subordinação” da família Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos. Já Flávio disse que Lula defende facções criminosas, como o PCC e o CV.

Lula questionou Flávio sobre a taxação dos Estados Unidos contra o Brasil e acusou Flávio e seus aliados de “fazer apelo” para que o Brasil “tivesse prejuízo”.

“É notável pra sociedade brasileira que a família Bolsonaro está subordinada aos interesses americanos”, acusou o petista, citando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo, cometido de forma continuada.

O senador respondeu que a taxação por parte dos EUA era “mais uma fake news” que ele poderia desmentir e destacou que não pediu para o presidente americano Donald Trump realizar o “tarifaço” contra os produtos brasileiros.

Economia

Sobre como melhorar a produtividade no país, Lula disse que “o crescimento da produtividade depende muito da capacidade do investimento de inovação nas indústrias brasileiras”.

O petista mencionou, entre as propostas, a expansão dos datacenters, economia verde, e formação de jovens “em engenharia, matemática e na nova indústria digital” para desenvolvimento do Brasil.

Flávio, porém, alegou que Lula “parece da oposição” e disse que “tudo o que ele está falando, ele já não fez e não vai fazer de novo”. O candidato do PL afirmou que vai fazer o “maior programa de mobilidade da história do Brasil” e citou propostas voltadas para o empreendedorismo.

Flávio afirmou que, em seu governo, a internet será tratada como “infraestrutura”, conectando escolas, hospitais e até áreas de recursos humanos, para que os brasileiros saibam quando surgir uma vaga em uma região próxima. Também prometeu que os brasileiros terão “capacitação na palma da mão”, com o passo a passo sobre como “abrir sua própria empresa”.

Corrupção e abertura de sigilos

Ao falarem sobre corrupção, o petista desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico.

“Eu desafio você, os Bolsonaro e eu, amanhã, abrirmos nossa conta bancária, abrirmos nosso sigilo para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país”, disse Lula, que estendeu o desafio aos familiares de ambos os candidatos.

“Vamos abrir seu celular e a minha conta bancaria, tenha coragem, ao invés de ficar falando que é honesto, prove que é honesto”, prosseguiu o petista.

Flávio respondeu que não tem “nada a esconder”. “Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre. Não está na sua conta, está em algum outro lugar”, rebateu.

Confusão das comitivas

Nas considerações finais, marcada por confusão, Lula agradeceu aos brasileiros “pela continuidade da democracia nesse país”. Sua fala foi interrompida por uma discussão depois que Flávio passou atrás dele.

Ao retomar, o presidente afirmou ter recuperado a economia e a indústria, acusou o adversário de querer privatizar a Petrobras e criticou a privatização da Eletrobras.

Flávio também teve sua fala interrompida após reclamar do barulho da plateia, após gritos, ele retomou a fala.

O senador criticou os três mandatos de Lula e declarou: “Jamais vou prometer o que não posso cumprir”. Prometeu colocar a população no centro do governo, reiterou o compromisso com a segurança pública e agradeceu os votos recebidos no primeiro turno.