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Deportações, alunos PCDs separados: como a AfD quer governar na Alemanha

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Deportações, alunos PCDs separados: como a AfD quer governar na Alemanha

O partido de extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha) conquistou o primeiro lugar nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, neste domingo (6), segundo pesquisas de boca de urna.

O partido conquistou 44,5% dos votos, com os conservadores do chanceler Friedrich Merz bem atrás, com 18,5%, de acordo com uma pesquisa de boca de urna da emissora ARD.

Ainda não está claro se a AfD conseguirá conquistar cadeiras suficientes no Parlamento estadual para governar sem ter que buscar uma coalizão com outros partidos.

“Fizemos história neste país”, disse Ulrich Siegmund, o principal candidato da AfD na Saxônia-Anhalt, que atraiu milhares de pessoas para seus comícios de campanha e que repetidamente apresentou a vitória no estado como um primeiro passo para garantir o poder nacional nas eleições federais previstas para 2029.

No sistema político alemão, os governos estaduais têm assento na câmara alta do parlamento, o Bundesrat, e também detêm amplos poderes nas áreas de educação, segurança interna e cultura.

A AfD detalhou as propostas que pretende implementar em um potencial governo da Saxônia-Anhalt no manifesto eleitoral intitulado “Visão 2026”.

Imigração

Segundo seu manifesto, uma Saxônia-Anhalt governada pela AfD pretende lançar uma ofensiva de deportações em nível estadual e criaria uma força-tarefa para agilizar as expulsões, em uma iniciativa que remete aos esforços dos Estados Unidos para endurecer o controle migratório.

O partido promete incentivar pequenas e médias empresas a adotar inteligência artificial e a digitalizar seus processos – por meio de subsídios – em vez de recorrer a mão de obra imigrante qualificada proveniente de contextos considerados “culturalmente estranhos”.

A AfD, que busca laços mais estreitos com a Rússia, também promete defender a revogação do status de refugiado de guerra para ucranianos na Alemanha enquanto o conflito permanecer concentrado no leste da Ucrânia, argumentando que eles deveriam buscar refúgio no oeste do país.

Escolas, religião e cultura

Sob a gestão da AfD, o partido afirma que filhos de refugiados serão colocados em turmas separadas para transmitir a mensagem de que “sua permanência na Alemanha é apenas temporária” e para evitar “diversos tipos de estresse” nas outras crianças decorrentes do convívio com culturas diferentes.

Crianças com deficiência também deixarão, segundo o manifesto, de estudar na mesma sala que as demais, sendo encaminhadas para escolas especiais.

O partido promete proibir as escolas de hastear bandeiras com as cores do arco-íris, devendo, em vez disso, exibir diariamente a bandeira nacional alemã. E o hino nacional deverá ser cantado por alunos e funcionários em celebrações escolares.

O governo também “esgotaria todos os recursos legais” para limitar manifestações islâmicas, incluindo a proibição da chamada para a oração e a imposição de regras sobre a decoração de mesquitas.

O partido quer realizar mudanças significativas no currículo escolar com uma “política cultural patriótica”, concentrando-se mais em governantes medievais e em grandes figuras da história alemã do século XIX, como o “Chanceler de Ferro”, Otto von Bismarck.

Medidas de apoio social e psicológico, bem como iniciativas de integração, serão eliminadas.

A AfD também prometeu desmantelar a estrutura atual do sistema público de radiodifusão no estado e retirar o financiamento público de algumas instituições culturais.

Família

Para enfrentar o envelhecimento da população alemã, o partido rejeita tentativas de atrair mais imigrantes e propõe, em vez disso, oferecer incentivos financeiros para que cidadãos alemães tenham filhos.

O partido afirma que a maior aceitação de “desvios sexuais e estilos de vida não reprodutivos” contribuiu para a queda nas taxas de natalidade e promete promover de forma incisiva estruturas familiares “tradicionais”, compostas por mãe, pai e filhos.

A AfD também defende restrições ao acesso a bloqueadores de puberdade e terapias hormonais de afirmação de gênero para crianças e adolescentes, visando combater o que classifica como uma “tendência” crescente à disforia de gênero.

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