Mila Seidl, esposa do influenciador Lito Sousa, surgiu nas redes sociais neste domingo (6) para rebater publicamente especulações de que o marido teria sido beneficiado por influência de autoridades ou empresários para obter um medicamento experimental contra a doença de Creutzfeldt-Jakob.
Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar em caráter excepcional a importação da substância ALN-6457, Mila explicou que todo o processo foi conduzido de forma autônoma pela família, em conjunto com os médicos e com a farmacêutica responsável pelo composto.
A liberação da Anvisa ocorreu de maneira excepcional, uma vez que o ALN-6457, desenvolvido pela Regeneron Pharmaceuticals, ainda está em fase pré-clínica para doenças priônicas e não conta com estudos em seres humanos nem com representante legal no Brasil. O acesso foi concedido sob a modalidade de uso compassivo, voltada para pacientes com enfermidades graves e sem alternativas terapêuticas disponíveis.
"Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante. A dificuldade é que essas informações não são claras", declarou Mila.
Caminho até o uso compassivo
Segundo o relato de Mila, a família buscou inicialmente a inclusão de Lito em um ensaio clínico. Como o estudo já estava com o quadro de participantes encerrado, a única alternativa viável passou a ser o pedido de uso compassivo diretamente à fabricante.
"A gente participou dos estudos e foi negado. Não porque ele não preenchia os requisitos, mas porque estava tudo fechado. Então, a gente seguiu para outro caminho, que é o uso compassivo do medicamento", afirmou.
Para fundamentar a solicitação, a família reuniu laudos médicos, resultados de exames e documentação científica fornecida pela própria empresa. O protocolo formal foi apresentado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, onde o influenciador recebia atendimento.
"A gente apresentou bastante documentação, estava bem robusto. Eu me preparei bastante. A gente estava bem munido com os documentos que a farmacêutica passou, com os exames, com tudo científico mesmo", explicou.
Família afasta rumores envolvendo interferência política e recursos públicos
Após a divulgação da autorização, surgiram teorias em redes sociais sugerindo favorecimento ao caso. Mila negou a participação de agentes públicos, doação de terceiros ou verbas governamentais. "Tem gente falando que teve dedo de ministro para conseguir a medicação, que empresário rico financiou, que a Anvisa conseguiu. É a última vez que eu vou explicar: quem conseguiu a medicação fomos eu e o Lito", disse.
Ela complementou destacando a independência financeira do processo: "Conseguimos por meios próprios o contato de outra farmacêutica, fizemos uma reunião com eles e, porque o caso do Lito é muito interessante, eles liberaram o uso compassivo. Aí eu fui atrás de todo o processo."
"Não tem um centavo de dinheiro público, não tem um centavo de outra pessoa nisso. Vocês não me viram abrindo vaquinha nem nada", completou.
Orientação a outras famílias e debate sobre burocracia
A tramitação regulatória envolveu instâncias brasileiras e norte-americanas, incluindo a Anvisa, o Ministério da Saúde, o hospital, a fabricante e a Food and Drug Administration (FDA). Diante do quadro crítico de Lito, a análise pelos órgãos competentes levou cerca de uma semana, período classificado por Mila como angustiante devido ao avanço da enfermidade.
"Mesmo esse fluxo mais rápido levou cerca de uma semana. E, em uma semana, a gente perdeu algumas coisas. Mas eu entendo que eles também têm que estar respaldados de que estão fazendo a coisa certa. Não podem simplesmente canetar, precisam analisar", disse.
A intenção de Mila ao detalhar as etapas é tornar os trâmites mais transparentes para outras pessoas que enfrentam doenças raras e progressivas. "Talvez isso traga luz para, a partir de agora, rever esses processos e criar fluxos um pouco mais rápidos para outras famílias", afirmou.
Estágio da substância e quadro de saúde de Lito Sousa
O ALN-6457 permanece em fase experimental e não possui eficácia ou segurança comprovadas em humanos contra a doença de Creutzfeldt-Jakob. A autorização da Anvisa fundamentou-se no caráter irreversível da doença, na ausência de alternativas no mercado e na urgência do quadro clínico. A estimativa comunicada pela família era de que o composto chegasse ao Brasil em até nove dias após a liberação.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma condição neurológica rara associada ao acúmulo anormal de príons no cérebro, levando à degradação rápida das funções cognitivas e motoras. Dados do Ministério da Saúde apontam que a sobrevida média dos pacientes fica em torno de cinco meses após o início dos sintomas.
Aos 59 anos, Lito Sousa recebeu alta e segue em tratamento domiciliar sob cuidados paliativos e assistência de uma equipe multidisciplinar. A família ressaltou que os cuidados paliativos visam garantir conforto, controle de dor e qualidade de vida enquanto novas possibilidades terapêuticas continuam sendo avaliadas.
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