“Antes de cada traslado, as autoridades dos Estados Unidos enviarão à Conare uma lista com os dados das pessoas propostas, e nosso país terá um prazo de 72 horas para analisar e se pronunciar a respeito”, detalhou Vera, na coletiva de imprensa que concedeu junto ao diretor de Migrações, Jorge Kronawetter, e ao encarregado de negócios dos EUA em Assunção, Robert Alter. Até o momento, não foram divulgadas as nacionalidades dos migrantes do grupo que chegará na quinta-feira, embora Vera tenha dito que são “da região” e falantes de espanhol.
O funcionário explicou que eles serão consultados sobre se desejam permanecer no Paraguai ou retornar aos seus países de origem. “E, se quiserem permanecer, temos, por meio da lei de refúgio, da Conare, os procedimentos para verificar sua situação e saber se realmente são perseguidos por raça, religião ou sexo”, afirmou Vera.
Por sua vez, Alter disse que essas pessoas “não têm pedidos de asilo pendentes nos Estados Unidos”.
Assim como em outros países que assinaram esse tipo de acordo com os EUA, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) fornecerá “assistência humanitária imediata em áreas como alojamento, alimentação e atendimento médico de emergência”, disse Vera.
Em agosto, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a assinatura de um Acordo de Terceiro País Seguro com o Paraguai.
O acordo “oferece aos solicitantes de asilo que atualmente se encontram nos Estados Unidos a oportunidade de processar seus pedidos de proteção no Paraguai”, segundo indicou em comunicado, à época, o secretário de Estado, Marco Rubio.
O funcionário destacou que um dos objetivos é “acabar com o abuso do sistema de asilo”, algo em que a administração de Trump tem insistido reiteradamente.
Este foi o primeiro acordo desse tipo que Trump assinou em seu segundo mandato, no contexto do endurecimento das políticas migratórias nos EUA. Meses depois, Belize e Equador também aderiram.
Panamá e Costa Rica também aceitaram voos dos Estados Unidos com deportados de outros países, embora sem se referirem aos acordos como de “terceiro país seguro”. Por sua vez, Washington também firmou acordos de deportação com El Salvador, Sudão do Sul, Ruanda, Guiné Equatorial, Eswatini e Palau, embora algumas tentativas de deportar pessoas para terceiros países tenham enfrentado obstáculos legais.
Outros países assinaram acordos migratórios, embora não especificamente de “terceiro país seguro”, e em alguns casos não está claro o alcance desses acordos.
Governo Trump gastou milhões de dólares com deportações
Milhões de dólares já foram gastos pelo governo Trump para enviar imigrantes para países distantes, que não sejam os seus de origem. Em alguns casos, Washington chegou a pagar mais de 1 milhão de dólares por pessoa deportada, segundo um relatório do presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
O documento aponta, ainda, que, em alguns casos, a administração dos Estados Unidos pagou para a deportação para um país terceiro e, depois, pagou novamente para enviar deportados para seus países de origem.
Além do Paraguai, países como Venezuela, El Salvador, Guiné Equatorial, Ruanda, Eswatini e Palau, foram outros que receberam voos de imigrantes de portados dos Estados Unidos.
(Com informações da CNN en Español)

