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“Kassab não pegou a emenda de ninguém”, diz Nelsinho Trad

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“Kassab não pegou a emenda de ninguém”, diz Nelsinho Trad

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou nesta 4ª feira (15.jul.2026) em entrevista ao Poder360 que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não participou da distribuição das chamadas emendas de liderança, que foram alvo de uma decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino. O senador declarou que o partido prestará esclarecimentos à Corte, mas negou qualquer envolvimento da direção da legenda no repasse dos recursos.

O ministro do STF, Flávio Dino, determinou nesta 4ª que as lideranças dos 21 partidos com representação no Congresso expliquem os critérios adotados para a distribuição das emendas parlamentares. A decisão faz parte do processo que apura a transparência na destinação desses recursos e alcança legendas como o PSD.

Trad afirmou considerar inadequado que dirigentes partidários sejam associados às emendas, argumentando que os recursos pertencem aos congressistas e devem ser destinados por eles.

“A própria emenda tem o nome de emenda parlamentar. Quem tem que se habilitar a buscar esse recurso são os parlamentares para atender os pedidos que chegam até eles”, declarou o senador.

Segundo o senador, o PSD responderá à determinação do STF informando que não participou da distribuição das emendas de liderança. “O PSD não teve participação nisso”, declarou. Em seguida, fez a defesa de Kassab: “O Kassab não pegou a emenda de ninguém”.

Assista (1min07s):

STF E EMENDAS

Dino determinou que os presidentes de todos os partidos com representação no Congresso esclareçam, em até 10 dias, informações sobre “eventual definição, gestão, distribuição ou operacionalização de emendas”

Segundo o ministro, “as informações ora requisitadas são relevantes para subsidiar a definição de providências eventualmente necessárias ao aperfeiçoamento dos mecanismos de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares (art. 163-A da CF), a fim de garantir o cumprimento das decisões do plenário do STF”.

Na decisão, Dino pede as seguintes informações: 

  • publicidade se o presidente do partido “dispõe de cotas, reservas ou qualquer outro mecanismo de alocação de emendas parlamentares”;  
  • caso disponha, qual é a “sua natureza, finalidade e abrangência”; 
  • a quem compete autorizar e deliberar sobre sua utilização; 
  • o fundamento jurídico-normativo que embasa a prática; 
  • o instrumento por meio do qual tais mecanismos são formalizados (normas, atas ou similares); 
  • o procedimento efetivamente adotado para a definição e destinação dos respectivos recursos, por parte dos presidentes dos partidos;

A decisão se deu depois de a Polícia Federal identificar emendas destinadas por deputados sem mandato e de o ministro Flávio Dino, bloquear bens do ex-deputado Eduardo Cunha e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de desvio dos recursos.