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Indiciados por fraude do INSS usavam apelidos em planilha de propina

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 15 horas)

As investigações da Polícia Federal indicam que os investigados pelo esquema de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) usavam apelidos para o recebimento de propinas. A corporação enviou, na 6ª feira (10.jul.2026), ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, um relatório de 839 páginas em que pede o indiciamento de 48 pessoas. 

Os apelidos aparecem em uma planilha do empresário Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como o operador do esquema junto com sua mulher. Eles controlavam empresas de consultoria, de veículos e de agropecuária que, juntas, receberam mais de R$ 312 milhões com os descontos irregulares de aposentadorias e pensões. As informações foram obtidas pela CNN Brasil

Veja os principais codinomes identificados pela PF:

  • “Herói V” – Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho (ex-procurador-geral do INSS);
  • “Herói A” – André Paulo Felix Fidelis (ex-diretor de Benefícios do INSS);
  • “Herói E” – Euclydes Marcos Pettersen Neto (deputado federal, PL-MG);
  • “O Italiano” – Alessandro Antonio Stefanutto (ex-procurador-geral e ex-presidente do INSS);
  • “O Ministro”, “São Paulo” ou “Abou Yasser” – José Carlos Oliveira (ex-diretor de Benefícios, ex-presidente do INSS e ex-ministro da Previdência);
  • “O servidor do INSS” – Rogério Soares de Souza.

Todos os nomes citados foram indiciados pela PF. Agora cabe à Procuradoria Geral da República apresentar denúncia ou arquivar o caso.

Segundo as investigações, os valores desviados do INSS eram usados para pagar “vantagens indevidas” a agentes públicos e políticos. Outro indiciado pela PF foi o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

O Poder360 entrou em contato com a defesa de Antunes, que disse que ainda não vai se manifestar sobre o indiciamento.

PROPINAS E FAVORES

A Polícia Federal indica que o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, conhecido pelo apelido de Abou Yasser, “foi essencial” para destravar um acordo suspenso e liberar R$ 15,3 milhões retidos. Sua atuação permitiu que o esquema de descontos indevidos continuasse mesmo sem validação dos documentos de filiação questionados. 

As investigações mostram trocas de mensagens em que o Careca do INSS determina, em 7 de dezembro de 2022, o pagamento de “100 do Oliveira [Abou Yasser] e 100 do Italiano [Stefanutto]. Em seguida, envia os comprovantes de 2 pagamentos de R$ 100 mil cada. 

Segundo a PF, as propinas foram recebidas da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).

Já o deputado federal Euclydes Pettersen (PL-MG) recebeu ao menos R$ 14,7 milhões em propinas no esquema. A PF afirma que o congressista garantia ao então presidente da Conafer Carlos Roberto Ferreira Lopes a indicação de nomes para o comando do INSS. 

O presidente da confederação também foi indiciado no relatório, mas está foragido. 

Esta foi a 1ª etapa do relatório, que mira os “operadores” do esquema. Não houve menções a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem a Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

OPERAÇÃO SEM DESCONTO

Em abril de 2025, a PF revelou um esquema de desvios e fraudes no INSS. De acordo com a corporação, foram identificadas irregularidades relacionadas aos descontos de mensalidades associativas aplicados sobre os benefícios previdenciários, principalmente aposentadorias e pensões concedidos pelo INSS.

Estima-se que ao menos R$ 6,3 bilhões tenham sido desviados dos beneficiários por sindicatos e outras entidades.

A operação provocou o afastamento do então presidente do INSS Alessandro Stefanutto. Diante da pressão sobre o governo federal, o então ministro da Previdência Social Carlos Lupi (PDT) pediu demissão.

O QUE DIZEM OS INDICIADOS

Em nota, o deputado Euclydes Pettersen afirmou que não tem “qualquer participação nos fatos apurados na operação Sem Desconto” e que nunca indicou “ninguém para cargo no INSS”. Segundo o congressista, as conclusões do relatório “foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa” (leia a íntegra mais abaixo).

O Poder360 tentou entrar em contato com os demais citados, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Leia a íntegra da nota de Euclydes Pettersen:

“Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS.

“O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial. Ele encerra uma investigação; não abre um processo. Suas conclusões foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa. Não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento.

“Minha defesa se manifestará nos autos, onde a versão da investigação será confrontada com documentos. Sigo trabalhando no exercício do mandato.”