Um dos alvos dos mandados de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MP-SP na manhã desta quinta-feira (17/9), é Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulinho Farias, presidente do Água Santa, clube finalista do Campeonato Paulista em 2023. O advogado dele, Roberto Vasco, não soube dizer se ele foi preso.
A decisão que determinou a prisão temporária diz que Paulinho é “testa de ferro” do PCC enquanto gestor de duas empresas de transporte: a A2 (que é uma das principais concessionárias de transporte coletivo de passageiros na cidade de São Paulo) e a Translíder (que opera em Cubatão).
Paulinho é irmão de João Farias, um dos quadros de maior expressão no Republicanos, partido do governador Tarcísio de Fritas, na capital. Tanto que o agora “João da Habitação” ocupou diversos cargos de primeiro e segundo escalão na prefeitura de São Paulo, sempre por indicação do partido, e concorre a deputado federal.
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João Farias (que não se tem notícias de que seja investigado) foi secretário municipal de Esportes em São Paulo entre junho de 2018 e fevereiro de 2019. Saiu de lá para virar secretário adjunto de Habitação e logo foi promovido a secretário de Habitação pelo então prefeito Bruno Covas (PSDB).
Ficou até agosto de 2020, saiu para trabalhar na campanha, e voltou como secretário-executivo na secretaria das Subprefeituras. Permaneceu sete meses no cargo, até ser escolhido por Nunes para voltar a ser secretário de Habitação, onde ficou até abril de 2023. No total foram quase três anos no cargo.
Agora, ele é candidato a deputado federal, pelo Republicanos, como “João da Habitação”, em uma candidatura lançada de última hora, depois que um dos concorrentes desistiu para se tratar de uma doença.
Acusações contra presidente do Água Santa
Já seu irmão Paulo, alvo da operação desta quinta, é empresário do setor de transportes e apontado como proprietário da A2 Transportes, uma das maiores empresas do sistema de transporte coletivo da cidade.
De acordo com a decisão que determinou sua prisão, áudios atribuídos a Paulinho Faria tratariam da venda de 63 ônibus de outra empresa de ônibus dele, a Translíder, que não tem concessão em São Paulo, por R$ 1,2 bilhão, com previsão de pagamento de comissão a José Daniel, outro investigado, indicando a conta bancária da A2 para o recebimento dos valores. José Daniel seria um “laranja”.
Para a Polícia Civil, o conjunto desses diálogos evidencia a existência de divisão de tarefas, recebimento de comissões e utilização de empresas de transporte para a operacionalização de negócios vinculados ao grupo criminoso. Paulo não é formalmente sócio da Translíder, mas seguiu mandando na empresa mesmo após sua retirada formal do quadro societário, de acordo com a decisão.
O Água Santa, depois de ser vice-campeão paulista em 2023, acabou rebaixado no estadual de 2025 e quase voltou este ano. Liderou com folga a fase de classificação, mas não ganhou nenhum jogo no quadrangular decisivo. Depois, repetiu a dose na Série D do Campeonato Brasileiro. Foi segundo no seu grupo e acabou eliminado pelo Velo Clube no mata-mata. No ano que vem, vai jogar só a A2.
Os “boatos” sobre o vínculo entre Água Santa e PCC são antigos e foram negados por Paulinho quando o clube chegou à final do Paulistão. À época, ele disse haver preconceito contra o clube, surgido da várzea em uma cidade pobre.
“Enquanto nós não tínhamos visibilidade, a gente suportou isso sempre dentro do nosso coração. Eu quero crer que é por conta de a gente ser de uma cidade humilde, de uma cidade que realmente já foi tida como a mais violenta do Brasil até os anos 2000, Eu entendi que chegou a hora, agora que a gente está tendo visibilidade, de acabar com esse preconceito. É um time humilde, sim. É um time que vem de uma cidade carente, sim. Mas é um time com muito trabalho e muita honestidade”, disse ao Estadão em 2023.

