A morte de Álvaro Henrique Braga, irmão da jovem Ana Lídia Braga, violentada e assassinada no dia 12 de setembro de 1973, nas imediações da Universidade de Brasília (UnB), “enterra” o caso que chocou o país e é considerado, até hoje, um dos mais emblemáticos da história de Brasília.
Após o caso, Álvaro se mudou para o Rio de Janeiro, onde atuava como médico desde 1983. O óbito dele foi confirmado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) e ocorreu em 25 de novembro do ano passado, mas só se tornou público nessa quarta-feira (16/9).
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Em 2023, quando o caso completou 50 anos, o Metrópoles publicou uma reportagem especial, assinada pela repórter Nathália Cardim, reconstituindo a história.
Entenda o caso
- Ana Lídia desapareceu na tarde de 11 de setembro de 1973, após os pais a deixarem na porta de uma escola particular da Asa Norte para aulas de reforço;
- No dia em que sumiu, uma testemunha disse que um homem alto e loiro, que vestia blusa branca e calça verde militar, abordou a garotinha e os dois deixaram a escola juntos;
- Álvaro Henrique Braga foi apontado pela polícia como o principal suspeito de ter buscado a menina na escola;
- Porém, os pais de Ana Lídia sempre sustentaram que Álvaro Henrique estava com eles no momento em que deixaram a menina no colégio;
- A família sempre foi incisiva ao negar o envolvimento do irmão da garotinha no crime bárbaro;
- A investigação também apontou que Raimundo Lacerda Duque, então com 30 anos, teria agido junto com Álvaro;
- Em seu depoimento, Duque garantiu que apenas soube do desaparecimento de Ana Lídia pelo rádio;
- Os principais acusados ficaram presos por mais de um ano à espera do julgamento;
- Em junho de 1975, no entanto, Álvaro e Duque acabaram absolvidos por falta de provas;
- Além deles, Alfredo Buzaid Júnior, filho do então ministro da Justiça, e Eduardo Ribeiro de Rezende, o Rezendinho, filho do então senador Eurico Rezende, também foram considerados suspeitos;
- As denúncias ocorreram porque ambos estudavam no mesmo colégio de Álvaro Henrique e também seriam usuários de drogas;
- Contudo, as investigações não conseguiram estabelecer a ligação de Alfredo e Eduardo com o caso;
- Em 1985, o processo do caso Ana Lídia chegou a ser reaberto após surgirem novas informações sobre o assassinato, mas, por falta de provas, foi encerrado;
- O crime prescreveu em 11 de setembro de 1993.







O Parque Ana Lídia fica no Estacionamento 12 e recebe crianças diariamente
Hugo Barreto/MetrópolesTúmulo de Ana Lídia Braga no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul
Hugo Barreto/MetrópolesBonecas também são deixadas no jazigo
Hugo Barreto/MetrópolesO túmulo de Ana Lídia é um dos mais visitados no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul
Hugo Barreto/MetrópolesCriança foi morta em 1973
Gustavo Moreno/ Especial para o MetrópolesMortes
Raimundo Lacerda Duque morreu em 2005, em decorrência de problemas com alcoolismo. A mãe de Ana Lídia, que sempre afirmou não acreditar no envolvimento do filho, morreu em março do mesmo ano.
O pai, Álvaro Braga, se mudou com a família para o Rio de Janeiro após o filho ser absolvido do crime. Ele morreu na capital carioca, em 2011, sem nunca ter dado entrevista sobre o caso.
Alfredo Buzaid Júnior morreu em 1975, em um acidente de carro. Em 1990, Rezendinho se suicidou, aos 40 anos, em Vitória (ES).
