Candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve uma reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, neste domingo (30/8), em São Paulo. Após encontro, Flávio defendeu a adoção do “modelo Bukele” na segurança.
“Tem pouco preso no Brasil. Tinha que ser mais. Só não tem mais porque a legislação é frouxa. Então, por isso, nós vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios, pra que ladrão de celular, que comece com pena de no mínimo oito anos de cadeia, fique preso. Não apenas seja preso, mas fique preso”, afirmou Flávio.
O “modelo Bukele“, adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, fez a população carcerária da nação da América Central disparar para cerca de 120 mil pessoas em três anos — o que representa cerca de 2% da população do país e o coloca com a maior taxa de detentos por habitante no mundo.
Em comparação, o Brasil registrou cerca de 964 mil pessoas presas ao fim de 2025, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) — 0,4% da população.
O modelo Bukele
- Ao assumir à presidência, em 2019, Nayib Bukele adotou uma política radical de combate ao crime, baseada em prisões em massa, estado de exceção e forte presença militar.
- Mais de 80 mil pessoas foram presas em 3 anos por suposta ligação com gangues, muitas vezes sem provas ou acesso à defesa.
- O governo construiu o CECOT, mega prisão com capacidade para 40 mil detentos, sem visitas ou comunicação externa.
- A política contribuiu para uma forte queda nos homicídios: 1,9 por 100 mil habitantes, a menor taxa das Américas.
- Bukele se apresenta como vencedor da “guerra contra as gangues” e confronta críticas internacionais.
- Human Rights Watch e Anistia Internacional denunciam torturas, detenções arbitrárias e mortes sob custódia.
- Apesar das críticas sobre violações de direitos humanos, o modelo de Bukele vem inspirando outros países da América Latina.
A proposta de Flávio prevê a construção de cinco novos presídios federais e a abertura de 500 mil vagas no sistema carcerário. “A legislação vai mudar. Presídios vão deixar de ser escolas do crime e vão ser exemplo. Você, marginal que for preso, entenda, você não vai sair rápido, você vai ficar preso, você vai pagar pelos crimes que você cometeu”, afirmou o senador.
No encontro com Villatoro, o senador afirmou ter discutido como adotar medidas semelhantes às de El Salvador no Brasil.
“É uma experiência que é possível que seja inspiradora para nós aqui no Brasil. E como está no nosso plano de governo, a linha vai ser de endurecimento da legislação penal e construção de vagas em presídios para que a população tenha seu primeiro e mais soberano direito, que é o direito de ir e vir. O direito à segurança pública”, disse Flávio.
Também participaram do encontro o candidato a vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar (PL-AL); o senador e candidato ao governo do Paraná pelo PL, Sergio Moro; e os candidatos ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

