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Caso Master volta a gerar preocupação nos aliados de Flávio Bolsonaro

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Caso Master volta a gerar preocupação nos aliados de Flávio Bolsonaro

Antes mesmo do início oficial da campanha presidencial, os desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master voltaram ao centro das preocupações da equipe do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar a abertura de um inquérito para investigar repasses do banqueiro Daniel Vorcaro à produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recolocou o caso no noticiário e ampliou o receio de novos desgastes durante a disputa pelo Palácio do Planalto.

Nos bastidores, interlocutores de Flávio avaliam que o novo desdobramento se soma à sequência de crises enfrentadas pelo senador nos últimos meses e mantém sua pré-candidatura sob pressão. A preocupação é que a investigação abra espaço para novas revelações sobre a relação entre o presidenciável e Vorcaro, dificultando o esforço da campanha para encerrar o desgaste.

Em maio, quando vieram à tona os repasses de Vorcaro para o filme, aliados de Flávio relataram surpresa e constrangimento com a forma como o episódio se desenrolou. Alguns parlamentares chegaram a falar em quebra de confiança, já que, segundo eles, o senador nunca havia mencionado qualquer contato com o banqueiro.

Entre esse grupo, que ainda mantém reservas em relação ao pré-candidato, há o temor de que o inquérito se transforme em uma “caixa de Pandora” e resulte em novos desdobramentos, inclusive envolvendo diretamente Flávio.

“É uma caixa de Pandora. Ele diz que não tem nenhuma relação para além do dinheiro do filme, mas vai saber? Vai saber como a PF vai interpretar. Temos que aguardar”, afirmou um aliado, sob reserva.

PF e PGR

O inquérito foi aberto a pedido da Polícia Federal, com parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os investigadores apuram cerca de R$ 61 milhões em repasses feitos por uma empresa ligada a Vorcaro para um fundo sediado no Texas e vinculado a pessoas próximas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Mensagens e áudios revelados em maio mostram Flávio pedindo recursos ao banqueiro para financiar a produção. A Polícia Federal busca esclarecer se o dinheiro foi usado exclusivamente no filme ou se parte dos valores custeou outras despesas.

Quando o caso se tornou público, Flávio reconheceu que Vorcaro financiou parte da produção e afirmou que a relação entre os dois se restringia ao projeto cinematográfico.

Na ocasião, anunciou que a produtora responsável pelo longa, a GoUp Entertainment Brasil, apresentaria uma prestação de contas detalhada dos gastos. Também disse que, caso o filme registrasse lucro, o valor correspondente ao aporte de Vorcaro seria separado e colocado à disposição das autoridades.

Em nota divulgada na quinta-feira (23/7), a GoUp afirmou ter recebido “com serenidade” a decisão de André Mendonça e sustentou que a investigação comprovará a regularidade da origem e da destinação dos recursos utilizados na produção.

Segundo a empresa, um laudo técnico concluiu que os recursos empregados no filme têm “origem privada, são documentalmente identificáveis e plenamente rastreáveis”.


A relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro

  • Segundo reportagem do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro começaram a se aproximar em 2024.
  • Registros apontam que, na ocasião, Flávio já buscava, por meio de intermediários, recursos para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia em homenagem ao seu pai.
  • Diálogos e documentos indicam que Vorcaro teria acertado um repasse de R$ 134 milhões ao projeto, de forma parcelada.
  • Em setembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou áudio a Daniel Vorcaro cobrando valores prometidos pelo banqueiro para o filme.
  • Flávio afirmou que a produção corria risco de não honrar pagamentos, e Vorcaro se comprometeu a quitar as pendências.
  • No final de 2025, o senador se encontrou pessoalmente com Vorcaro, logo após a primeira prisão do banqueiro. Flávio disse que a reunião serviu para “botar um ponto final na questão” do financiamento da cinebiografia.

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Flávio Bolsonaro terá a candidatura ao Planalto confirmada na convenção do PL
Flávio é o pré-candidato do PL à Presidência da República
Senador Flávio Bolsonaro é o pré-candidato à Presidência do Partido Liberal (PL)
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Metrópoles
Flávio Bolsonaro durante a Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO)
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Flávio Bolsonaro durante a Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO)

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Flávio Bolsonaro terá a candidatura ao Planalto confirmada na convenção do PL
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Flávio Bolsonaro terá a candidatura ao Planalto confirmada na convenção do PL

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Flávio é o pré-candidato do PL à Presidência da República
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Flávio é o pré-candidato do PL à Presidência da República

Luis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova
Senador Flávio Bolsonaro é o pré-candidato à Presidência do Partido Liberal (PL)
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Senador Flávio Bolsonaro é o pré-candidato à Presidência do Partido Liberal (PL)

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O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
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O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Rebeca Ligabue/Metrópoles

Mais preocupação

Na avaliação de aliados de Flávio, o episódio também ampliou a repercussão de outro caso envolvendo o senador e Daniel Vorcaro. A coluna Tácio Lorran, do Metrópoles, revelou que o escritório de advocacia do filho mais velho de Jair Bolsonaro recebeu R$ 500 mil de uma empresa ligada a uma consultoria que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025.

A reportagem também mostrou que outras duas notas fiscais, que somavam R$ 1 milhão, foram emitidas diretamente em nome da consultoria e posteriormente canceladas. O senador afirmou que prestou serviços advocatícios à empresa que o contratou e negou qualquer vínculo com recursos do Banco Master.

Apesar das explicações, integrantes do PL avaliam reservadamente que a sucessão de episódios dificulta desvincular o nome de Flávio de Vorcaro e alimenta dúvidas sobre a possibilidade de novos fatos surgirem ao longo da campanha.

A preocupação também alcança partidos que Flávio tenta atrair para sua coligação. Dirigentes do Centrão ouvidos pela reportagem afirmam que a abertura do inquérito reforça o clima de cautela nas negociações, embora a campanha ainda trabalhe para reduzir a resistência dessas legendas até o prazo final das convenções partidárias, em 5 de agosto.

Flávio busca o apoio de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos. A maior expectativa está em relação ao Republicanos, partido da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, apontada como a favorita do senador para ocupar a vaga de vice na chapa.

As alianças também ampliariam a capilaridade da campanha e poderiam garantir a Flávio a liderança no tempo de propaganda eleitoral gratuita.

Apesar dos gestos feitos pelo senador a essas legendas, dirigentes partidários avaliam que ele ainda não conseguiu se desvincular da imagem e da retórica do pai. Também apontam dificuldades de articulação política dentro da pré-campanha.

“É uma campanha cheia de crise, e um candidato que ainda não conseguiu superar o noticiário negativo. É claro que isso nos afasta”, disse um dirigente do União Brasil.

Apesar da preocupação manifestada por parte dos aliados, integrantes da coordenação da pré-campanha minimizam os efeitos da abertura do inquérito. Eles afirmam que a investigação permitirá esclarecer os fatos e sustentam que não há irregularidades nos repasses relacionados ao filme.

O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse estar confiante de que as apurações não encontrarão ilegalidades. “Tranquilo. Vai ficar demonstrado que não há ilícito”, afirmou.

Flávio diz ser alvo de perseguição

Horas depois da decisão de André Mendonça, Flávio Bolsonaro afirmou, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, que é alvo de uma perseguição política. Sem citar diretamente a abertura do inquérito, o senador disse que há uma ação “orquestrada” para desgastá-lo.

“Vocês estão vendo a grande pancadaria em cima de mim dia sim, dia também. Eu vou dar explicações, mas não se trata mais disso. Eu sou uma pessoa altamente perseguida. Não é de agora. Nunca reclamei de ser questionado de nada, mas o que está acontecendo agora é algo desproporcional porque estão vendo que eu sou uma ameaça ao sistema e aos interesses de muita gente que está no poder”, disse.

Ele também afirmou que estaria sofrendo do mesmo “modus operandi” que atingiu o governo de Jair Bolsonaro: “É exatamente o que fizeram com meu pai”.

“Para mim, eu sou julgado todo dia sem provas. É uma coisa orquestrada. Fizeram com meu pai e estão fazendo comigo”, declarou.

A calma depois da tempestade…

Em meio à sucessão de crises enfrentadas nas últimas semanas, a campanha de Flávio Bolsonaro acredita ter conseguido, ao menos por ora, encerrar um dos episódios que mais causaram desgaste político ao senador: o embate público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A crise começou depois de Michelle afirmar ter sido “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado. O episódio provocou desconforto no PL, sobretudo porque a campanha tenta ampliar o desempenho de Flávio entre o eleitorado feminino e contava com a ex-primeira-dama como um dos principais ativos eleitorais.

Na quinta (23/7), Flávio voltou a fazer um gesto público em direção à madrasta. Em vídeo publicado nas redes sociais, pediu desculpas novamente, afirmou que Michelle é uma das principais lideranças do bolsonarismo e disse esperar contar com sua participação na campanha.

Pouco depois, Michelle respondeu afirmando que aceitava o pedido de desculpas do enteado e sinalizou uma reaproximação, movimento comemorado pelo núcleo da pré-campanha.

“Vamos sentar, vamos conversar, ajustar os detalhes e juntos vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil”, disse a ex-primeira-dama.

A expectativa da campanha é que a crise tenha sido definitivamente superada e que Michelle passe a participar ativamente da campanha do senador.

Embora o impasse familiar esteja aparentemente superado, integrantes da campanha avaliam que novos desafios já surgem no horizonte. Um deles é a decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Um integrante do comitê de Flávio afirma, reservadamente, que as medidas — a mais recente anunciada na quinta — podem abrir espaço para que aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentem associar a família Bolsonaro às sanções impostas pelos Estados Unidos.

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