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Após operação, MP prepara nova ofensiva contra investigados da Naskar

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Após operação, MP prepara nova ofensiva contra investigados da Naskar

O promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Paulo Roberto Binicheski, responsável por acompanhar a investigação criminal sobre a suposta fraude da Naskar Gestão de Ativos Ltda., afirmou à coluna que deve pedir, nos próximos dias, a prisão preventiva dos investigados e que o foco da atuação do Ministério Público será rastrear o destino dos recursos desaparecidos no esquema.

Em entrevista exclusiva, Binicheski confirmou que o caso segue sob sigilo, mas antecipou as próximas medidas da investigação.

“Em breve, devemos requerer a prisão preventiva dos investigados. Também vamos envidar todos os recursos necessários para seguir o dinheiro, o chamado follow the money”, afirmou o promotor.

A declaração foi dada após a coluna noticiar em primeira mão a prisão dos empresários Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, donos da Naskar, durante operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em São Paulo.

As prisões fazem parte das investigações sobre a suposta fraude que teria causado prejuízo superior a R$ 900 milhões a aproximadamente 3 mil investidores em todo o país. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

Segundo a investigação, a empresa captava recursos prometendo rentabilidade de 2% ao mês, índice acima do praticado pelo mercado. A Naskar atuou por cerca de 13 anos até interromper, em maio deste ano, o pagamento dos rendimentos aos clientes.

Pouco depois, investidores passaram a relatar dificuldades para entrar em contato com os responsáveis pela empresa, enquanto o aplicativo da fintech saiu do ar e os pedidos de resgate deixaram de ser atendidos.

A investigação também apura o caminho percorrido pelo patrimônio dos investigados. Como revelou a coluna, o ex-sócio Douglas Silva de Oliveira, de 26 anos, atualmente morando em Dubai, publicou nas redes sociais imagens de um McLaren Artura recém-adquirido, avaliado em até R$ 3 milhões no Brasil, acompanhado da frase: “Vida nova, carro novo”.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que Douglas assumiu formalmente o controle da Naskar após os antigos proprietários deixarem a empresa. Dias depois, transferiu a totalidade das quotas para a avó materna, Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos, moradora de Uberlândia (MG).

Antes disso, a empresa divulgou comunicado afirmando ter sido vendida por R$ 1,2 bilhão para uma suposta gestora norte-americana chamada Azara. Os registros da Junta Comercial de São Paulo, porém, apontam que o comprador formal foi o próprio Douglas, que declarou renda mensal de R$ 1,8 mil e, meses antes, chegou a alterar oficialmente o sobrenome para “Azara”.

Com a promessa do Ministério Público de seguir o fluxo financeiro da organização, a expectativa é que a próxima fase da investigação concentre esforços na identificação dos bens adquiridos com os valores captados dos investidores e na localização de ativos que possam ser bloqueados para eventual ressarcimento das vítimas.

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