Em contraste com as críticas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, defendeu, semanas antes e no mesmo encontro com embaixadores, a integridade das urnas eletrônicas.
Kassio compareceu ao encontro com embaixadores estrangeiros no evento “Debating Brazil”, promovido pela agência Novo Selo Comunicação e pelo The Brazilian Report, veículo que cobre o Brasil em língua inglesa, em 16 de junho.
O presidente do TSE, na ocasião, defendeu a importância do voto universal e enfatizou que a urna eletrônica materializa o princípio da igualdade política.
“Diante da urna, a diferença de riqueza, origem, etnia, prestígio, posição social ou conhecimento acumulado se reduz a nada. Um homem, um voto. Uma mulher, um voto”, declarou. “O Brasil desenvolveu uma das mais sofisticadas estruturas de integridade eleitoral existentes no mundo”, prosseguiu Kassio.
O ministro também afirmou que o compromisso do TSE e de toda a Justiça Eleitoral é com a transparência, a segurança cibernética e o aperfeiçoamento permanente dos mecanismos de fiscalização.
“A democracia não pode tolerar que a vontade do eleitor seja manipulada. O voto é livre quando a convicção é formada sem fraude, intimidação ou simulação artificial da realidade”, ponderou.
O encontro de Kassio ocorreu na presença de 25 embaixadores e representantes de missões diplomáticas.
Urnas
Em participação no mesmo debate do qual Kassio participou semanas antes, Flávio questionou a efetividade das urnas.
O senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), repetiu um discurso semelhante ao do pai. Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic, supostamente envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.
“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa [venezuelana]”, disse Flávio.
O senador pediu aos diplomatas que enviem o maior número possível de observadores estrangeiros para acompanhar as eleições deste ano no Brasil.
Após a repercussão, o senador negou, por meio de nota, ter questionado a integridade do sistema eleitoral brasileiro, no qual disse ter “integral confiança”.
“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”, diz trecho da nota.
O comunicado enviado ao Metrópoles é assinado por Flávio, pelo senador e coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho (PL), e por Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da pré-campanha.

