A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos na quarta-feira (15/7) sobre parte das importações brasileiras poderá elevar os custos de insumos utilizados pela indústria americana, segundo estudo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
De acordo com a entidade, os produtos sujeitos à tarifa são empregados como matérias-primas na fabricação de adesivos, embalagens plásticas, filmes técnicos, autopeças, fragrâncias, cosméticos, tintas industriais e automotivas. Os insumos também abastecem a indústria petroquímica, hospitais e a cadeia de suprimentos médicos.
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Do lado brasileiro, os segmentos mais expostos à cobrança são tintas, vernizes, esmaltes e lacas, fibras têxteis sintéticas e produtos de limpeza e perfumaria, cujas exportações permanecem praticamente integralmente sujeitas à tarifa.
Também apresentam elevada exposição os produtos químicos orgânicos e o segmento de resinas e elastômeros. Já defensivos agrícolas e produtos químicos inorgânicos permanecem majoritariamente fora da medida.
Quanto da exportação será tarifado
O levantamento estima que cerca de 58% do valor atualmente exportado pelo Brasil aos Estados Unidos ficará sujeito à nova tarifa. Em contrapartida, aproximadamente 42% das categorias de produtos químicos permaneceram fora da cobrança adicional. Como essas exceções concentram itens de maior valor agregado, entre 64% e 71% do valor exportado permanece isento, conforme o período analisado.
Segundo a Abiquim, o Brasil exportou US$ 2,44 bilhões em produtos químicos para os Estados Unidos em 2024, US$ 2,13 bilhões em 2025 e US$ 922,5 milhões no primeiro semestre de 2026.
Mantido o mesmo volume de exportações na segunda metade deste ano, a associação estima que a sobretaxa poderá gerar arrecadação adicional de cerca de US$ 66,4 milhões para o governo americano. A projeção considera um cenário sem alterações no fluxo comercial, na taxa de câmbio ou nas decisões dos exportadores.
O estudo foi elaborado com base em dados do Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cruzados com a lista de exceções publicada pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Segundo a Abiquim, a análise não projeta perdas para a indústria brasileira nem redução das exportações. O levantamento se limita a estimar a parcela das vendas sujeita à tarifa, a arrecadação adicional esperada para o governo americano e os setores potencialmente afetados pela medida.

