De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Rodrigo Perosa, os preços da carne bovina no Brasil deve ser impactado pelas salvaguardas chinesas, que afetam as exportações para país.
Ele explicou que, em um primeiro momento é possível que exista uma diminuição nos preços, no entanto, com a redução na produção, é provável que o preço suba no médio e longo prazo. Em coletiva, Perosa detalhou os dados do Beef Report de 2026, nesta quinta-feira (16/7).
De acordo com o presidente da Abiec, os preços devem subir em dois meses, ou seja, às vésperas da eleição presidencial, o que pode impactar a campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Perosa destacou que as cotas imposta pela China e os vetos a importação de carne pela União Europeia (UE) devem diminuir a demanda do setor, logo, diminuir também a produção, o que deve encarecer os produtos.
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O entendimento do Ministério da Fazenda, no entanto, é outro. Durante uma coletiva de imprensa para apresentar os dados do Boletim Macrofiscal de Junho, divulgado na última quarta-feira (15/7), o subscretário de Política Macroeconômica, Rafael Leão, afirmou que o preço da carne bovina pode apresentar quedas com o aumento da disponibilidade do produto no mercado brasileiro.
No entanto, segundo Pedrosa, essa dinâmica não deve se sustentar no longo prazo, já que os produtores já estão sentindo os impactos da diminuição da demanda mundial.
De acordo com ele, o setor tem sido muito impactado, já optando por férias coletivas e layoffs para manter as operações.
Perosa afirmou também que, até o momento, não estão nas discussões a redistribuição das cotas impostas pela China.
Com relação ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o presidente afirmou que o setor não foi afetado pela medida, mas acompanha com atenção as negociações.
Entenda as tarifas impostas pela China
O governo chinês anunciou que colocará cotas de importação de carne bovina, com o objetivo de proteger os produtores locais. No total, serão 2,7 milhões de toneladas, que serão ampliadas ano a ano.
O Brasil, no entanto, ficou com a maior cota de importação entre os fornecedores, de 1,1 milhão toneladas por ano. Caso as importações ultrapassem as cotas estabelecidas, os produtos serão taxados em 55%.
A medida terá duração de três anos e será adotada para o mundo inteiro, o que, tecnicamente, não coloca o Brasil em desvantagem competitiva.

