A comissão da ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou, em um relatório publicado nesta segunda-feira (26) que Israel continuou cometendo genocídio em Gaza após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em outubro do ano passado.
O relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel examinou as violações contra crianças palestinas do início da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro de 2023, até setembro deste ano.
O relatório afirma que as autoridades israelenses continuaram cometendo “atos genocidas com a intenção genocida de destruir, no todo ou em parte, os palestinos em Gaza”, e que a situação também continuou se deteriorando na Cisjordânia ocupada.
Outro relatório da comissão, divulgado em setembro do ano passado, concluiu que Israel havia cometido genocídio em Gaza e que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos — acusações que Israel considerou escandalosas.
A missão israelense em Genebra afirmou que o último relatório faz parte de uma campanha de desinformação para demonizar o Estado de Israel.
“A tentativa de destruir o Estado judeu… continua até hoje por meio de esforços de atores como a Comissão de Inquérito da ONU para minar a legitimidade de Israel e negar seu direito fundamental de existir e se defender”, afirmou o embaixador Daniel Meron em comunicado.
Munição pesada
A comissão constatou que as forças israelenses continuaram usando munições pesadas, drones, quadricópteros, artilharia e tiros de atiradores em áreas densamente povoadas durante o cessar-fogo em Gaza.
Segundo a comissão, a “Linha Amarela” — apresentada como uma demarcação temporária do cessar-fogo — está se estendendo cada vez mais para dentro de Gaza, tornando-se uma fronteira de fato, o que, segundo o relatório, reflete a expansão do controle territorial de Israel sobre Gaza.
Autoridades palestinas afirmam que mais de 74 mil pessoas foram mortas nos ataques de Israel a Gaza, iniciado após combatentes liderados pelo Hamas matarem cerca de 1.200 pessoas no sul de Israel em 7 de outubro de 2023.
Em seu relatório ao Conselho de Segurança da ONU, a comissão afirmou que a situação na Cisjordânia também se deteriorou drasticamente, com o número de palestinos mortos em ataques aéreos aumentando de seis entre 2008 e 6 de outubro de 2023 para 254 entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro de 2026.
O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, afirmou que o assassinato intencional de civis palestinos e a destruição de residências na Cisjordânia fazem parte de uma estratégia mais ampla para exterminar e deslocar os palestinos.
Operações militares desde janeiro de 2025 levaram ao maior deslocamento de palestinos na Cisjordânia desde 1967, com 34.176 palestinos ainda deslocados em agosto de 2026, segundo o relatório.
A comissão também criticou a Autoridade Palestina, afirmando que ela havia perseguido palestinos que expressavam opiniões divergentes e que jornalistas e defensores dos direitos humanos haviam sido mortos e feridos.
Comissão da ONU aponta genocídio em Gaza com ataques de Israel a crianças

