A novela “Xica da Silva”, da TV Manchete, completa 30 anos nesta quinta-feira (17) e continua sendo uma das produções mais emblemáticas da televisão brasileira, com cenas que marcaram a memória dos espectadores.
No aniversário do folhetim, a CNN Brasil destacou momentos que gerariam revolta no público dos dias de hoje.
Relembre abaixo cenas que não poderiam ir ao ar nos dias de hoje
Contagem regressiva de Tais Araújo

O aguardo pela maioridade da protagonista da novela — que começou no papel quando tinha 17 anos — foi uma estratégia usada pela TV Manchete para atrair a atenção dos espectadores.
Na época, diversas matérias na imprensa antecipavam com grande expectativa o aniversário de Taís, para que a personagem Xica da Silva pudesse aparecer em cenas mais ousadas.
No dia em que Taís completou 18 anos, sua primeira cena com nudez apareceu em rede nacional, gerando repercussão no país inteiro — cumprindo as expectativas da emissora.
“Os anos 90 eram um trem desgovernado”, falou a atriz durante uma entrevista anterior ao “Fantástico”, da TV Globo. “A gente, de alguma maneira, foi perdendo os parâmetros do que era um corpo exposto, a exposição da mulher, tratar uma mulher como objeto.”
Busca pela cura gay

A trajetória do personagem Zé Maria mostrou o sofrimento psicológico enfrentado por minorias sexuais no período do Brasil Colônia (1530-1822).
Com medo da perseguição da Inquisição e pelo estigma da acusação de sodomia — crime sujeito à pena de morte na época —, ele procura o médico local em busca de algum remédio que mudasse seus sentimentos.
A surpresa dos espectadores foi com a postura do médico, que teve uma opinião à frente do seu tempo e afirmou que a sexualidade do rapaz não era uma doença, mas uma “forma de ser”.
Feijoada macabra

Em uma das cenas mais emblemáticas da novela, Xica coloca em prática uma vingança contra o informante Damião, que repassava segredos de sua casa para a vilã Violante (Drica Moraes).
Após descobrir a traição, a protagonista ordena a morte e o esquartejamento do traidor.
Como outra etapa da vingança, a personagem de Taís Araújo ordena que a carne do homem fosse picada e cozida como o prato principal de um grande banquete servido à elite do Arraial do Tijuco.
Boca costurada

Para evitar que Zé Maria fosse condenado à morte no tribunal da Inquisição sob a acusação de sodomia, Xica ordenou que o escravizado Paulo — principal testemunha do processo, que foi manipulada por Violante para prestar um depoimento falso — tivesse os lábios fisicamente fechados antes do julgamento.
Durante a sessão do tribunal, ao retirarem o capuz da testemunha, o público se deparou com a imagem do homem com a boca literalmente costurada.
Impossibilitada de falar, a testemunha foi invalidada, garantindo a absolvição de Zé Maria.
Pacto macabro

O terror psicológico e o ocultismo ganharam forte espaço na trama durante a sequência da partida da personagem Dona Bem-Vinda. À beira da morte e se recusando a aceitar o fim de sua vida, a idosa realiza um ritual de invocação para tentar trocar de alma e habitar o corpo de um recém-nascido.
Na condução do ritual, foi construída uma atmosfera sombria, com a aparição de uma cabra preta dentro do quarto no instante exato do último suspiro da mulher. A sugestão de uma transferência de almas por vias demoníacas chocou o público pela ousadia do tema dentro de uma produção de canal aberto.
Taís Araújo relembra pressão por cenas picantes aos 18 anos: “Anos 90”

