A AfD, o partido Alternativa para a Alemanha, comemorou neste domingo (6), em um teatro de Magdeburgo, após pesquisas de boca de urna mostrarem que o partido disparou para a primeira colocação nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt.
O resultado coloca um partido de extrema direita à beira de chegar ao poder em nível estadual pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.
A AfD obteve 44,4% dos votos, enquanto os conservadores do chanceler Friedrich Merz ficaram bem atrás, com 18,3%. Os social-democratas, de centro-esquerda, e os Verdes, de orientação ambientalista, também superaram o percentual mínimo necessário para conquistar cadeiras no Parlamento, segundo uma pesquisa de boca de urna da emissora ARD.
Com a apuração em andamento, ainda não estava claro se a AfD havia obtido votos suficientes para conquistar maioria absoluta no Parlamento. Mas a importância política mais ampla da eleição, que teve comparecimento superior a 80%, segundo a emissora ZDF, era evidente.
“Fizemos história neste estado”, disse Ulrich Siegmund, candidato da AfD ao cargo de primeiro-ministro da Saxônia-Anhalt, de 35 anos. Ele atraiu milhares de pessoas para seus comícios de campanha e repetidamente apresentou uma vitória no estado como o primeiro passo para conquistar o poder em âmbito nacional nas eleições federais previstas para 2029.
O partido quer restringir fortemente a imigração, restabelecer os laços com a Rússia, abandonar o euro e promover um patriotismo alemão sem constrangimentos.
O resultado representa um revés significativo para Merz, cuja aprovação pessoal caiu a níveis historicamente baixos, enquanto os eleitores se afastaram tanto das reformas planejadas por ele para reanimar a economia alemã, que enfrenta um ritmo lento de crescimento, quanto de seu estilo pessoal de comunicação, marcado por frequentes gafes.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, classificou o resultado como “histórico” e afirmou que ele deu ao partido um mandato claro para governar. No entanto, pode ser necessário um longo período de negociações para formar uma coalizão antes que uma maioria clara seja estabelecida.
Os partidos tradicionais se recusaram a trabalhar com a AfD, que foi classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha. No entanto, o partido pode encontrar um parceiro no BSW, de extrema esquerda, caso a legenda consiga superar o percentual mínimo necessário para entrar no Parlamento.
Embora a Saxônia-Anhalt, que anteriormente fazia parte da Alemanha Oriental comunista, seja um dos menores estados alemães, com uma população de pouco mais de 2 milhões de habitantes, o resultado destaca o rápido avanço da AfD desde sua criação, em 2013.

