O ator Allan Souza Lima, 40, vive protagonismo triplo na carreira. No ar em “Quem Ama Cuida”, ele acaba de retornar ao Prime Video com a segunda temporada de “Cangaço Novo” e já se prepara para dar um passo inédito na carreira: dirigir seu primeiro longa-metragem.
Na faixa das nove da TV Globo, o artista interpreta Tom, um personagem que rapidamente se tornou um dos principais alvos das discussões do público. Marcado por atitudes abusivas e manipuladoras, o vilão movimenta a trama ao lado de Elenice, vivida por Mariana Sena, e tem provocado debates nas redes sociais sobre relacionamentos tóxicos.
Para o ator, a repercussão confirma que o personagem está cumprindo seu papel na narrativa. “O Tom é um personagem difícil e indigesto, mas necessário. Ele desperta incômodo porque representa comportamentos que infelizmente fazem parte da realidade de muita gente”, diz à CNN Brasil.
“Quando vejo o público discutindo essas atitudes, sinto que a novela está cumprindo um papel que vai além do entretenimento”, acrescenta.

Enquanto amplia espaço na telinhas, Allan também celebra o lançamento da segunda temporada de “Cangaço Novo”. Na série, ele retoma o papel de Ubaldo Vaqueiro, protagonista da produção que se firmou como um dos maiores sucessos recentes do audiovisual brasileiro ao combinar ação, drama e questões políticas e sociais ambientadas no sertão contemporâneo.
O desempenho do ator na produção também lhe rendeu nova indicação ao Prêmio Grande Otelo, um dos mais importantes do cinema nacional.
“Voltar para ‘Cangaço Novo’ foi emocionante porque essa série me desperta algo profundo de reconexão com raízes e com a própria história. É satisfatório também perceber que ao mesmo tempo que essa história tem um DNA muito próprio, e toca as pessoas com identificação e representatividade, ela não se limita a isso, pelo contrário, ela é sentida por pessoas de todas as realidades, inclusive as mais distantes”, diz.
O bom momento diante das câmeras é acompanhado por uma transformação nos bastidores. No início do próximo ano, Allan inicia as filmagens de “Poeta Bélico”, projeto que marcará sua estreia na direção de longas-metragens.
O filme será codirigido ao lado da preparadora de elenco Fátima Toledo, reconhecida por trabalhos em “Tropa de Elite” e “Marighella”, e terá Renato Góes e Alejandro Claveaux como protagonistas.
Segundo o artista, a expansão representa a realização de um objetivo cultivado ao longo da carreira.
“Dirigir um longa sempre foi um objetivo de carreira, e eu venho desenvolvendo a ideia há alguns anos. Estar por trás das câmeras me permite enxergar o processo de outra perspectiva, coisa que já exerci muitas vezes anteriormente, mas num longa é a primeira vez. Estou muito animado para começar ‘Poeta Bélico’ e dividir essa experiência com profissionais que admiro tanto”, comenta.

Além do novo desafio como diretor, Allan também aguarda a estreia de dois filmes independentes dos quais faz parte do elenco: “Lusco-Fusco”, dirigido por Bel Bechara e Sandro Serpa, e “Talismã”, de Thais Fujinaga.
Vivendo uma fase que sintetiza a amplitude de sua trajetória artística, ele completa: “Estou vivendo um daqueles momentos que todo ator almeja. São projetos muito diferentes entre si, em plataformas diferentes, mas que conversam pela qualidade das histórias e pelo desafio artístico que representam para mim. Dentro desse movimento de trânsito entre televisão, streaming e cinema, é essencial não perder a curiosidade e nunca entrar no modo automático”.
“É ótimo ter objetivos, sonhos e perspectivas para o futuro. Mas também é essencial permanecer atento ao que o presente tem a oferecer. É isso que nos humaniza, que nos impede de viver no piloto automático em um mundo cada vez mais acelerado e orientado pela produtividade. Sobretudo, é o que nos mantém conectados ao que existe de mais bonito em ser artista: a capacidade de estabelecer uma conexão verdadeira com a alma humana”, conclui.

