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Couro brasileiro fica isento da lista de produtos tarifados pelos EUA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 19 horas)
Couro brasileiro fica isento da lista de produtos tarifados pelos EUA

O setor brasileiro de couro ficou de fora da lista de produtos brasileiros atingidos pela sobretaxa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos. O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) confirmou que determinados tipos de couro produzidos no Brasil foram incluídos entre as exceções da medida por serem considerados insumos estratégicos para a indústria norte-americana.

A decisão beneficia determinados couros classificados na HTS (Tabela Tarifária Harmonizada dos Estados Unidos), incluindo meios de couro com área inferior a 2,6 metros quadrados nas categorias wet blue, crust, acabado e couro com pelo.

De acordo com o CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), a exclusão dos produtos da sobretaxa foi resultado de um trabalho conjunto entre a entidade, empresas do setor e representantes da cadeia produtiva do couro, que participaram de consultas públicas e realizaram articulações junto ao governo brasileiro, à CNI (Confederação Nacional da Indústria), entidades parceiras e empresas norte-americanas.

A justificativa apresentada pelo USTR para manter esses produtos fora da sobretaxa está relacionada à importância do couro brasileiro como matéria-prima para segmentos industriais dos Estados Unidos.

Segundo o órgão, os materiais são considerados insumos essenciais para as indústrias automotiva, moveleira e calçadista, que dependem do fornecimento brasileiro devido ao volume disponível e ao padrão de qualidade, sem fornecedores alternativos capazes de atender à demanda.

Além disso, o setor acompanha uma nova frente de investigação conduzida pelo USTR, desta vez relacionada a possíveis práticas de trabalho forçado. Caso sejam confirmadas irregularidades, uma nova decisão poderá impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos originários de mais de 60 países, incluindo o Brasil.

União Europeia

A Comissão Europeia propôs retirar o couro bovino brasileiro do escopo do EUDR (Regulamento Europeu Antidesmatamento). A proposta foi apresentada em maio de 2026 e formalizada em 13 de julho por meio de um Ato Delegado, que exclui do Anexo I da EUDR os códigos tarifários peles e couros bovinos brutos, couros curtidos e crust e couro bovino acabado.

Segundo a Comissão Europeia, argumenta que os curtumes europeus enfrentam dificuldades para atender às exigências de rastreabilidade previstas na regulamentação.

A proposta não altera as regras para a carne bovina, que continuará sujeita às exigências da EUDR, incluindo a comprovação de origem livre de desmatamento e a rastreabilidade da cadeia produtiva.

Exportações 

De acordo com o levantamento da Scot Consultoria mostram que o volume exportado atingiu um recorde histórico no acumulado até maio de 2026. Foram embarcadas 274,8 mil toneladas de couro, o maior volume já registrado para o período.

O crescimento, entretanto, não foi suficiente para elevar a receita das exportações.

No primeiro quinquemestre de 2026, o faturamento do setor somou US$ 450,8 milhões, representando uma queda de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025 e de 17,7% na comparação com os cinco primeiros meses de 2024.

Segundo a Scot, a redução na receita ocorreu em razão da mudança no perfil dos produtos exportados. Embora o volume embarcado tenha aumentado, houve maior participação de categorias de couro com menor grau de processamento e, consequentemente, menor valor agregado.

A cadeia produtiva do couro é composta por diferentes etapas industriais, que agregam valor ao produto ao longo do processamento.

O primeiro estágio é o couro salgado, correspondente à pele bovina bruta conservada com sal logo após o abate, sem qualquer tratamento químico.

Na sequência está o wet blue, resultado do curtimento com sulfato de cromo trivalente. Trata-se da categoria mais comercializada no mercado internacional devido à sua estabilidade, facilidade de armazenamento e transporte.

Depois vem o crust, também conhecido como couro semiacabado, que passa por processos de recurtimento, secagem e tingimento, mas ainda não recebe o acabamento final.

O couro acabado representa o estágio de maior valor agregado, sendo o produto pronto para utilização na fabricação de calçados, estofados, móveis, artigos automotivos, bolsas e outros produtos de consumo.

Também fazem parte das exportações as aparas, retalhos e recortes gerados durante o processamento industrial, além dos couros reconstituídos.

A maior participação de produtos em estágios intermediários ou de menor valor agregado explica por que o crescimento do volume exportado não foi acompanhado pelo avanço das receitas.

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