A destituição do popular ministro da Defesa da Ucrânia, apesar de sucessos militares recentes, provocou protestos em Kiev e uma divisão pública sem precedentes nas Forças Armadas sobre a condução da guerra contra a Rússia.
Centenas de pessoas, em sua maioria jovens, reuniram-se na capital. A CNN ouviu algumas delas, que disseram que a decisão não fazia sentido.
Um dos manifestantes observou que o ministro era “a pessoa que introduziu a tecnologia que permitiu aos drones realizar a maior parte dos combates, em vez de pessoas”.
Esse foi um protesto raro em Kiev em tempos de guerra. O último havia ocorrido há um ano, quando milhares de pessoas se reuniram para exigir a independência do órgão anticorrupção.
Mykhaylo Fedorov, que se mostrou um ministro dinâmico e inovador em seus seis meses no cargo, informou na noite de quarta-feira (15) que havia sido afastado da função, em meio a divergências com o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi.
Na noite desta quinta-feira (16), o presidente Volodymyr Zelensky anunciou a nomeação de Yevhenii Khmara, chefe interino do Serviço de Segurança da Ucrânia, para o cargo de ministro da Defesa interino e pediu aos legisladores ucranianos que apoiassem a indicação.
Zelensky reconheceu os protestos e disse estar “confiante de que [Fedorov] permanecerá em minha equipe, e discutiremos um pouco mais tarde como isso se dará”.
Tempestade política na Ucrânia
A destituição de Mykhaylo Fedorov desencadeou uma tempestade política em Kiev e abalou os aliados ocidentais da Ucrânia.
Uma autoridade europeia de alto escalão na capital ucraniana disse à CNN que a decisão foi “bastante surpreendente” e sugeriu que ela poderia ter repercussões significativas nas relações do país com aliados-chave, que veem Fedorov como alguém comprometido com os esforços de combate à corrupção, tanto nas Forças Armadas quanto no governo como um todo.
Fedorov, anteriormente ministro da Transformação Digital da Ucrânia, era popular entre as tropas por ter melhorado a remuneração e os sistemas de rotação para a frente de batalha.
Seu sucessor será o quinto ministro da Defesa da Ucrânia desde a invasão em larga escala pela Rússia, em 2022.
Aos 35 anos, ele também era reconhecido por sua abordagem inovadora em relação à tecnologia e ao recrutamento, mas entrou em conflito com outros integrantes do alto escalão da defesa ucraniana.
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