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Fernando Novais, um dos maiores historiadores do Brasil, morre aos 93 anos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Fernando Novais, um dos maiores historiadores do Brasil, morre aos 93 anos

O historiador Fernando Antonio Novais morreu, nesta quinta-feira (30), aos 93 anos, em São Paulo. Ele foi professor Emérito na USP (Universidade de São Paulo) e aposentado na Unicamp (universidade Estadual de Campinas), além de ter sido referência na histografia brasileira. A causa da morte não foi divulgada.

Em sua trajetória, Novais se aprofundou nos estudos sobre o período colonial brasileiro e contribuiu com a publicação de pesquisas e coleção de livros sobre Brasil e Portugal, como a obra clássica “Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial (1877-1808)”.

Novais nasceu em Guararema, na Grande São Paulo, em 1933. Na graduação, se formou em História pela USP, aos 25 anos, onde também concluiu o seu doutorado, quinze anos depois. Há um ano de se formar, foi professor assistente na Faculdade de Economia na mesma instituição.

Como professor, lecionou no Departamento de História da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP (Universidade de São Paulo), entre 1961 e 1986 na disciplina de História Moderna e Contemporânea, onde permaneceu até a sua aposentadoria, em 1986. Já na Unicamp, deu aula no Instituto de Economia entre 1986 e 2003.

Junto com outros sócios, fundou, em 1969, o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).

Em nota, a FFLCH da USP lamentou a morte e afirmou que Novais estava terminando um estudo relacionado a marxismo e história:

“Fernando ensinou para gerações. Estava sempre interessado na história como um ofício. Um fazer que exige um método, uma abordagem conceitualizante e preocupada com uma dimensão de totalização. Em outras palavras, para ele a história deve ser total, mas isso é sempre uma aproximação. Ela nunca é total, ela quer ser e procura, desta forma, articular e mediar as várias dimensões das ações (emoções e pensamentos) dos homens e das mulheres no passado. A história quer ser ciência, mas não é. Ela dialoga com as ciências humanas, mas distancia-se delas pelo seu método, estilo e forma de abordar a dimensão da memória humana.”

A Unicamp, através do Instituto de Economia, disse que Novais foi um dos fundadores do curso de Economia e auxiliou na construção do diálogo entre economia, história e pensamento social na instituição. Além disso, a universidade enalteceu a coordenação do professor no projeto de grande alcance público, “História da vida privada no Brasil”.

Outras instituições e associações também homenagearam Fernando Novais e prestaram solidariedade aos familiares e amigos do historiador, como a Associação Nacional de História e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. 

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