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Análise: Com rejeição de Messias, Alcolumbre redesenha própria sucessão

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: Com rejeição de Messias, Alcolumbre redesenha própria sucessão

O Senado Federal rejeitou, por 42 votos a 34, a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (29). O resultado surpreendeu tanto o governo quanto a própria oposição, e abriu um novo cenário político para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no contexto da disputa pela presidência da Casa em 2027.

Segundo o diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, no WW, que acompanhou os bastidores da votação no Senado Federal, a derrota foi recebida com absoluta surpresa pelo governo. A pergunta que circulou intensamente nos corredores do Senado, antes e depois da votação, foi o que Alcolumbre sairia ganhando com o resultado.

Rittner explicou que, no cenário de uma eventual aprovação, o presidente do Senado poderia ter negociado a liberação de até US$ 12 bilhões em emendas parlamentares, além de cargos e presidências de órgãos como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e agências reguladoras. Com a derrota, esse caminho foi descartado — mas, segundo a análise, Alcolumbre também não saiu prejudicado.

O cenário atual, de acordo com Rittner, não é favorável à reeleição de Alcolumbre na presidência do Senado em fevereiro de 2027. A tendência é de uma Casa Legislativa mais à direita, com Rogério Marinho (PL-RN) como principal pretendente ao cargo, apoiado pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Alcolumbre havia acumulado desgaste com a direita, inclusive por segurar pedidos de impeachment de ministros do Supremo. A rejeição de Messias, no entanto, permite que ele se reposicione.

Rittner destacou que Alcolumbre percebeu uma erosão da perspectiva de poder do governo federal e uma crescente força do Legislativo. Ao articular a derrota da indicação, ele se projeta novamente como um interlocutor de confiança da direita e da oposição. Em um cenário em que o Senado seja presidido por Flávio Bolsonaro, Alcolumbre poderia se apresentar ao governo como uma alternativa mais palatável, questionando: “Você prefere eu ou prefere Rogério Marinho na presidência do Senado?”

Para Rittner, a conclusão é clara: “Para o Davi Alcolumbre, nada está perdido. Pelo contrário, ele se credencia e mostra que o Senado e os senadores têm mais poder hoje do que o Poder Executivo.” O cenário, que era considerado muito ruim para Alcolumbre, passou a ser visto como bem mais aceitável após o resultado da votação.

Rittner relatou que minutos antes da votação, um alto funcionário do Palácio do Planalto exibiu uma planilha com os nomes dos senadores marcados em verde, vermelho e amarelo, e afirmou com segurança que, evenualmente contabilizando possíveis traições, Messias teria 43 votos e seria aprovado. “Mesmo contabilizando traições, o governo teria 43 votos”, relatou Rittner, descrevendo a postura do funcionário.

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