Os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã não eliminaram a capacidade do país de projetar poder na região, afirmou o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, durante entrevista a CNN.
Segundo o especialista, embora os bombardeios tenham destruído grande parte da marinha iraniana e a força aérea já estivesse comprometida por sanções antes do conflito, o Irã ainda mantém uma força terrestre significativa, com 610 mil militares ativos e 350 mil reservistas.
“Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não acabaram com a possibilidade do Irã de projetar poder, que, segundo o secretário de guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, seria o objetivo principal dessa guerra”, explicou Brustolin.
Estreito de Hormuz como instrumento de poder
O pesquisador destacou que o Irã continua demonstrando sua capacidade de projeção de poder através do controle do Estreito de Ormuz, utilizando armas relativamente baratas como minas navais, drones e mísseis. De acordo com Brustolin, o país possui entre 2 mil e 6 mil minas navais, equipamentos menos custosos que os empregados pelos Estados Unidos e Israel no conflito.
A presença militar americana na região foi reforçada significativamente nas últimas semanas. “Os Estados Unidos, por exemplo, agora tem três porta-aviões na região. Já tinha o Abraham Lincoln e o Gerald Ford, que voltou da Croácia depois de receber reparos, e agora chegou na região o George H.W. Bush”, informou o especialista, ressaltando que tal concentração naval não era vista desde a Guerra do Iraque.
Impacto político nos EUA
Brustolin também analisou o cenário político americano, observando que o tempo corre a favor do regime iraniano neste momento. Segundo ele, Donald Trump enfrenta pressões internas devido às eleições de novembro, inclusive de apoiadores do movimento MAGA que o criticam por não cumprir promessas de campanha relacionadas à paz.
“O Trump prometeu que seria o presidente da paz. Ele fez campanha em 2024 dizendo que a Kamala Harris afundaria os Estados Unidos em uma guerra, que ela levaria os Estados Unidos a uma guerra mundial”, lembrou o pesquisador, acrescentando que Trump corre o risco de perder apoio no Congresso se não conseguir administrar adequadamente o conflito.
Para o especialista, enquanto os EUA enfrentam pressões democráticas e eleitorais, o regime iraniano, descrito por ele como uma “ditadura militar com um representante teocrático”, não enfrenta os mesmos constrangimentos internos, o que lhe confere maior capacidade de resistência no atual cenário de tensão internacional.

