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Ajuste fiscal só virá com corte efetivo das despesas, diz economista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Ajuste fiscal só virá com corte efetivo das despesas, diz economista

Apesar de ter perdido o protagonismo nas discussões econômicas atuais, o cenário fiscal brasileiro continua sendo motivo de preocupação. Esta é a avaliação do economista Aod Cunha, colunista do CNN Money.

Em entrevista ao canal, Cunha avaliou que um ajuste duradouro das contas públicas só virá com corte efetivo de despesas.

Ao comentar sobre as recentes declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Washington, Cunha observou que o discurso oficial do governo mantém a linha de que as metas fiscais estão sendo cumpridas dentro do arcabouço estabelecido.

“Tanto ao final da gestão do ministro Haddad quanto do Durigan agora, há uma fala do governo como se ele estivesse cumprindo com as metas fiscais por eles traçadas dentro do arcabouço fiscal”, afirmou.

A realidade, na visão do economista, é mais complexa.

“A preocupação que o mercado e analistas em relação à sustentação da atual trajetória não parece ser comungada pelo governo. Porque o governo disse que ainda está no limite inferior do arcabouço fiscal”.

Segundo ele, existem despesas em áreas como saúde e educação que não estão contidas na verificação do método de superávit primário, o que torna a situação fiscal mais frágil do que o governo aparenta reconhecer.

Impacto do câmbio

Para Cunha, a valorização do real é um dos principais motivos pelos quais o tema fiscal parece ter perdido urgência no debate econômico.

A divisa brasileira, assim como uma série de outras moedas de mercados emergentes, teve um ganho substancial em relação ao dólar de 2025 para cá.

O impulso veio de dois fatores: um movimento de carry trade — uma estratégia financeira em que investidores pegam dinheiro emprestado em países com taxas de juros baixas e investem em países de juros maiores, como o Brasil — e o enfraquecimento global da divisa norte-americana.

Na visão do colunista, ambos os movimentos acalmam preocupações imediatas — ainda que a trajetória da dívida pública siga “preocupante”.

Preocupação essa que deve ressurgir nas discussões sobre a redução da taxa Selic. “O governo tem uma missão de gerar um esforço primário entre 2% e 3% do PIB (Produto Interno Bruto), e terá que decidir se fará isso com mais aumento da carga tributária ou com cortes de despesas”, afirmou.

Debate eleitoral

Sobre as eleições deste ano, Cunha demonstrou se mostrou cético quanto à possibilidade de os candidatos abordarem a questão fiscal de maneira coerente durante a campanha.

“Se estiverem num cenário como hoje, com o dólar relativamente sob controle, real valorizado, os candidatos vão falar sobre a importância de fazer ajuste, mas sem dar detalhes”, previu.

Segundo ele, um ajuste mais duradouro exigiria medidas impopulares, como cortes no crescimento de despesas, revisão de indexadores como o reajuste real do salário mínimo, ou até mesmo uma nova reforma da Previdência.

“É um debate difícil do ponto de vista popular, e não vejo nenhum dos candidatos com um apetite para comprar essa discussão no período eleitoral”, concluiu.

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