Na última quarta-feira (15), a PF (Polícia Federal) deflagrou a Operação Narco Fluxo, que investiga uma organização criminosa voltada à movimentação ilícita de valores, inclusive por meio de criptoativos, no Brasil e no exterior. A suspeita é que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão em apenas dois anos.
A ação cumpriu mais de 80 mandados em todo o país e resultou na prisão dos cantores de funk MC Ryan SP e Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei. Os investigados continuam presos após manuntenção da detenção pela Justiça.
Ao longo da operação, foram realizadas ainda uma série de apreensões. Segundo a PF, foram recolhidos 55 carros de luxo e motocicletas, entre eles modelos como Amarok V6, BMW X1 e Porsche, além de uma Mercedes-Benz G63 rosa. Somados, os veículos são avaliados em mais de R$ 20 milhões
Uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren também foi recolhida.
Ainda conforme o balanço divulgado pela PF, os agentes apreenderam uma arma com 120 munições, 56 itens entre joias e relógios, incluindo modelos da marca Rolex, além de 53 celulares e 56 dispositivos eletrônicos, como computadores, tablets e notebooks.
Durante a operação também foram localizados R$ 300 mil em espécie e US$ 7,3 mil (cerca de R$ 36 mil), bem como documentos e registros financeiros que devem auxiliar no avanço das investigações.
Os investigados tiveram o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens determinados pela Justoça. Eles podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Operação Narco Fluxo
Desdobramento da Narco Bet, a Operação Narco Fluxo, de acordo com a PF, visa desmantelar uma organização criminosa suspeita de movimentar valores de maneira ilícita, inclusive por meio de criptoativos, no Brasil e no exterior.
A investigação apontou que os envolvidos utilizavam um sistema estruturado para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de numerário em espécie e transações com criptoativos. Segundo a PF, o volume movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão.
Para dar aparência de legalidade às operações, os investigados utilizavam um mecanismo caracterizado como “escudo de conformidade”, no qual artistas e influenciadores digitais utilizavam a própria visibilidade pública para encobrir as movimentações financeiras.
O esquema também incluía estratégias de blindagem patrimonial, com a transferência de participações societárias para familiares e pessoas interpostas, os chamados “laranjas”. De acordo com a Polícia Federal, essas práticas tinham como objetivo ocultar a origem dos recursos.
As investigações ainda apontam indícios de ligação do grupo com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
O que dizem as defesas
Mc Ryan SP
“A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.
A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada.”
Raphael Sousa
“A defesa de Raphael Sousa Oliveira esclarece que seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital.
Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos.
Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada.
A defesa está adotando as medidas cabíveis e demonstrará, no momento oportuno, que sua atuação sempre se deu dentro dos limites da legalidade.”
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
