Um novo protagonismo segue os acontecimentos da distopia de sucesso “The Handmaid’s Tale” no spin-off da produção, “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”. Com uma mudança de tom e de elenco, a nova produção tem o objetivo de continuar a luta pela derrocada do mundo fictício da opressora nação Gilead sob novas perspectivas.
Inspirada no romance homônimo da autora Margaret Atwood — que também escreveu “The Handmaid’s Tale” — “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead” avança cerca de cinco anos no tempo para mostrar como o regime teocrático começa a ruir por dentro, agora sob o olhar de adolescentes e jovens mulheres que cresceram sob as regras rígidas de Gilead.
Em entrevista à CNN, o roteirista da série, Bruce Miller, e o produtor executivo, Warren Littlefield, falaram mais sobre o aprofundamento da derrocada de Gilead por uma perspectiva agora mais jovem.
Na nova trama, as jovens Agnes Mackenzie (Chase Infiniti) e Daisy (Lucy Halliday) estão em processo de amadurecimento em meio à nova era de Gilead. Enquanto a primeira é obediente e devota, a segunda é uma convertida recém-chegada de fora das fronteiras do local. Estudantes da brutal escola para futuras Esposas, elas formam um vínculo que abala seu presente, futuro e até passado.
“Você realmente precisa mudar sua perspectiva”, resumiu o criador Bruce Miller, ao explicar o ponto de partida da produção.
Diferente da história centrada em June, uma mulher arrancada de sua vida anterior, agora o foco está em jovens que nasceram e cresceram dentro de Gilead — e que, por isso, enxergam aquele sistema de forma completamente distinta. Segundo Miller, a grande virada de “Os Testamentos” está justamente nesse olhar. “Elas só têm memória de Gilead.”
As jovens aprenderam a viver dentro das regras do regime. Construíram amizades, desenvolveram sua fé e encontraram formas de felicidade em um sistema opressor. “Como elas não apenas sobreviveram, mas prosperaram em Gilead e como isso vai ser tirado delas?”, acrescentou o roteirista.
“Acho fascinante a perspectiva delas ao perceberem que isso está vindo, porque nós, como público, estamos um pouco à frente delas em relação ao que está por vir e o quão ruim isso realmente é. O ponto de vista dessas jovens — e também da Tia Lydia — é limitado, e isso torna a série interessante e assustadora”, concluiu o criador.
Uma maior dose de esperança
Seja na fotografia, ou na trilha sonora da série, houve a intenção de criar mais esperança ao movimento. As imagens na tela são mais vívidas, e as canções remetem à juventude. Logo no primeiro episódio, por exemplo, há o uso de “Dreams”, faixa da banda The Cranberries, hino que descreve a mistura de encantamento, transformação pessoal e o medo.
“A chave foi pegar o que aprendemos em ‘The Handmaid’s Tale’ sobre como criar tensão e usar isso aqui para brincar com essa sensação — e criar esperança. E essas personagens são cheias de esperança, então o ponto de vista delas nos ajuda nisso. A música, a trilha sonora, a fotografia, tudo vem do ponto de vista delas. É como essas jovens veem o mundo. A esperança vem do espírito delas e, sabe, desse jeito de ser de garotas de 15 anos”, disse Miller.
“Sabemos que existem ameaças que vão tentar detê-las, mas essa esperança faz você pensar: talvez elas não sejam impedidas.”
As próprias Aias, centro da narrativa em “The Handmaid’s Tale” sempre destacadas com vestes vermelhas, não são mostradas no spin-off.
“Você nunca verá o manto vermelho em ‘Os Testamentos’. Ele não está lá. Estamos construindo um mundo diferente. Ele está relacionado ao que vimos há 3 ou 4 anos na linha do tempo? Sim, está relacionado, Gilead ainda existe. Mas é um lugar diferente, em um tempo diferente, com — como o Bruce disse — uma perspectiva diferente”, destacou o produtor executivo Warren Littlefield.
Novo olhar — e um novo protagonismo
Além da mudança de foco narrativo, a série enfrentou o desafio de seguir sem o protagonismo da atriz Elisabeth Moss como a icônica June Osborne.
“Estávamos muito ligados à Lizzie”, admitiu Warren Littlefield. A atriz permanece nos bastidores como produtora executiva, uma participação que ele descreve como “inestimável”.
Para manter a conexão com a série original, o retorno de Ann Dowd, como a icônica Tia Lydia, funciona como ponte entre as duas narrativas. Ao mesmo tempo, o spin-off aposta em uma nova geração de talentos, como Rowan Blanchard e outros nomes além de Infiniti e Halliday.
“Será que conseguiríamos satisfazer o público com as novas atrizes? Mas com elas, tudo pareceu se encaixar, estamos muito felizes com o resultado”, acrescentou Litttlefield.
Ao todo, “Os Testamentos” terá dez episódios, que serão lançados semanalmente às quartas-feiras.
Veja o trailer de “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”

