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MP do Rio pede afastamento do presidente do Rioprevidência

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MP do Rio pede afastamento do presidente do Rioprevidência

Uma ação do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) contra o Banco Master e outros envolvidos busca evitar um prejuízo acima de R$ 1 bilhão no Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro), segundo nota divulgada nesta sexta-feira (10).

Com pedido de tutela de urgência, o MPRJ pediu o afastamento do atual presidente da autarquia Nicholas Ribeiro da Costa Cardoso, além da suspensão imediata de contratos associados ao chamado ‐CredCesta‑.

Segundo o MPRJ, também responderão à Justiça a empresa PKL One Participações S.A., ex-dirigentes e atuais dirigentes do RioPrevidência e, formalmente, o Estado do Rio de Janeiro e a própria autarquia previdenciária.

Segundo a nota, , o caso envolve risco concreto de perda de cerca de R$ 970 milhões investidos pelo RioPrevidência em títulos emitidos pelo Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central.

O cenário, de acordo com o MPRJ, foi agravado por novos aportes realizados posteriormente, elevando o risco total a mais de R$ 1 bilhão.

A ação ainda questiona a legalidade do modelo de crédito denominado ‐CredCesta‑. Segundo a ação, a operação combinaria empréstimos consignados com cartões de crédito, apresentados de forma pouco transparente, o que teria levado aposentados e pensionistas a um ciclo de endividamento contínuo, com descontos em folha que não reduzem efetivamente a dívida.

O MPRJ afirma que a medida descumpre o Código de Defesa do Consumidor e a Lei do Superendividamento, ao atingir diretamente consumidores em situação de vulnerabilidade, como idosos e beneficiários de previdência, comprometendo sua renda de natureza alimentar.

“Outro ponto destacado na ação é a divergência quanto à forma de compensação. O Estado e o RioPrevidência sugeriram utilizar valores descontados de servidores para compensar prejuízos com os investimentos. O GAESF/MPRJ, no entanto, sustenta que essa solução transfere indevidamente o ônus aos próprios segurados, em vez de responsabilizar os agentes envolvidos nas irregularidades”, diz a nota.

A ação também aponta indícios de falhas graves na gestão do fundo previdenciário, incluindo aportes em instituições não credenciadas, mesmo após alertas de órgãos de controle. Para o GAESF/MPRJ, a permanência da atual gestão representa risco de continuidade de práticas que podem agravar a situação financeira do RioPrevidência.

Diante do cenário, o MPRJ também requer à Justiça a declaração de nulidade dos contratos considerados abusivos, suspensão dos descontos em folha, a condenação dos responsáveis ao ressarcimento integral dos prejuízos e a implementação de mecanismos que impeçam novas operações semelhantes no sistema previdenciário estadual.

Outro lado

Em nota, a RioPrevidência informou que até o momento, não foi formalmente notificado acerca da referida ação. “E caso exista entendemos ser totalmente desarrazoada”, disse.

“O Rioprevidência esclarece que as aplicações financeiras mencionadas se referem a recursos de natureza administrativa, especificamente oriundos da Taxa de Administração. Trata-se de receita vinculada ao Fundo Administrativo, destinada exclusivamente ao custeio das despesas de organização, administração e funcionamento da unidade gestora, sendo obrigatória a segregação desses valores em relação aos recursos destinados ao pagamento de benefícios previdenciários”, informou.

Segundo o Rioprevidência, “as alocações realizadas se concentram em investimentos de renda fixa, sendo que o montante de R$ 100 milhões estava aplicado em títulos públicos, caracterizando uma estratégia de baixo risco. E não se misturam com os recursos voltados para pagamento de benefícios previdenciários que pertencem ao Plano Financeiro e Plano Previdenciário”.

“O Rioprevidência tem o comprometimento com o pagamento dos benefícios previdenciários em dia e as solicitações do MPRJ continuarão sendo atendidas”, informou.

O Banco Master não respondeu aos questionamentos encaminhados pela reportagem. O CNN Money busca contato com o a PKL One Participações S.A, mas não encontrou um representante até o momento.