O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, classificou como “paliativas” as medidas adotadas pelo governo para combater o endividamento da população brasileira. Em entrevista ao Live CNN nesta sexta-feira (10), Vale afirmou que as iniciativas oferecem apenas um alívio temporário e não resolvem o problema de forma estrutural.
“Isso é um paliativo. É para dar um fôlego de curto prazo para a população”, declarou o especialista ao comentar sobre os programas de renegociação de dívidas. Ele ressaltou que o momento político, com eleições municipais se aproximando, favorece a implementação dessas medidas: “A gente está no ano eleitoral. É interesse do Congresso, é interesse do governo que isso avance o quanto antes para cada um dos agentes políticos falarem que tiveram parte em ajudar a população em um momento de crise”.
Segundo Vale, o programa pode ajudar momentaneamente ao possibilitar a substituição por dívidas mais baratas e eventuais perdões para valores menores destinados à população de baixa renda. No entanto, ele alerta que os beneficiados podem voltar a se endividar no futuro, especialmente considerando o atual cenário econômico de desaceleração, diferente do observado em 2023.
Soluções estruturais
O economista defendeu que o Brasil precisa resolver o problema do endividamento de forma mais estrutural. Para Vale, há dois caminhos principais: a continuidade do trabalho do Banco Central na desaceleração da inflação, o que permitiria reduzir a taxa de juros no futuro, e um ajuste fiscal mais significativo.
“Precisa fazer um ajuste importante para conseguir trazer essa taxa de juros para baixo”, enfatizou o especialista, lembrando que medidas semelhantes já foram adotadas no passado com resultados positivos. Ele destacou que não há como “inventar a roda” e que o país precisa seguir caminhos já conhecidos para resolver seus problemas econômicos de forma sustentável.

